quarta-feira, 1 de junho de 2016

PROGRAMA PEGASUS, um pouco mais do que tecnologia

Autoria: Ana Maria Mendez González

Hoje em dia ser programador de software é opção relativamente comum. É área profissional em ascensão. Escolha adequada. Mas, há cerca de quarenta anos atrás, o que explicaria essa opção? Fui conversar com Paulo de Tarso Ferreira, o criador do programa PEGASUS, bastante utilizado pelos astrólogos brasileiros. A seguir, eis como surgiu este programa para cálculos astrológicos, os passos iniciais de elaboração e seu amadurecimento como produto final.

O INÍCIO

A intenção era outra, mas ele acabou chegando à área da programação de computador. Paulo de Tarso Ferreira tinha escolhido, originalmente, Engenharia Eletrônica como curso superior. Enquanto completava o colégio e fazia cursinho, teve contato com um livro sobre Freud e achou que Psicologia era o que realmente queria fazer. Começou a carreira acadêmica pela Psicologia em 1972 e, com interrupções, também passou pelo Jornalismo e pela Física. O Latim teve lugar importante em suas horas de estudo porque queria ler os tratados de alquimia no original.

A astrologia chegou por herança paterna. Seu pai estudava astrologia na escola esotérica Rosa Cruz e fez seu mapa logo no nascimento. O conhecimento astrológico começou a se formar por volta de 1978 com o lançamento do livro "O grande livro de Astrologia" , de Júlia e Derek Parker (do Círculo do Livro), cuja pesquisa foi feita em grupo de amigos, colegas da faculdade e, principalmente, com o Amauri Magna e sua irmã, Marisilda Magagna. Na procura por uma informação mais consistente, o livro mais importante foi Astrologia Racional de Adolfo Weiss, em edição argentina pela Editorial Kier.

De 1979 até o começo de 1980 chegou a fazer leituras de mapas natais aos colegas da PUC como "diversão". Nesse período, procurando formas de facilitar o cálculo, teve contato com a calculadora Texas TI-59. Como não sabia nada de programação, quem criou as primeiras rotinas foi o Amauri Magagna.

ENCONTROS NOTÁVEIS

Um encontro (casual e impulsivo) acelerou esse contato com os programas de Astrologia. Visitando o Instituto Paulista de Astrologia, junto com o Amauri Magagna, Paulo "invadiu" o escritório do Antônio Facciollo, descobrindo que ele também tinha interesse em um programa de cálculos astrológicos e já tinha, inclusive tentado fazer isso, no passado. As necessidades comuns, as conversas e o vínculo de uma amizade fez que todos se esforçassem na direção desse objetivo. Foi uma convivência quase diária por mais de uma década.

Todas as informações sobre cálculo eram passadas ao Amauri Magnana, pois ele era o engenheiro e grande programador. As dificuldades eram enormes tanto na área de conteúdos astrológicos como na linguagem técnica. Houve tentativas para encontrar informações, como alguns sistemas de casas, por exemplo. Esse era o trabalho: descobrir a informação e transformá-la em programa. Amauri tinha essa condição técnica e especial vocação.

A partir de 1980 passa a trabalhar como Psicólogo em empresa, o que dificulta um pouco o envolvimento na Astrologia. Lá pela metade dos anos 80 se dá, no Brasil, o início da comercialização dos computadores pessoais. Aquele espírito técnico que tinha influenciado na escolha por Engenharia se manifestou novamente.

Entre os anos de 1984 e 85, trabalhando e morando em São José dos Campos compra seu primeiro computador (um TK-2000, Apple) e passa a dedicar o tempo livre para aprender técnicas e linguagem de programação. Isso acontece (a partir do DOS do Apple), esmiuçando os programas da Matrix, que era a grande produtora de softwares de astrologia da época. O aprendizado se deu por "engenharia reversa", lendo as rotinas dos softwares da Matrix para entender a função de cada uma e traduzindo os termos para português. Eram as primeiras tentativas de um criar programa.

Em 1985 deixa de trabalhar diretamente em empresas e volta a São Paulo, tornando-se Consultor de Recursos Humanos, o que garantiu maior flexibilidade nos horários de trabalho e permitiu dedicar um tempo maior à Astrologia e à programação. Elabora outro programa com novos recursos, usando um recurso do Apple IIe de mostrar em tela 80 colunas ao invés de apenas 40, característica dos primeiros Apple. Distribui esse novo produto, nomeado Astro II, aos amigos, que insistiram na comercialização, que acontece precariamente durante alguns meses com o nome rebatizado para Pegasus.

Por que esse nome? A palavra é proparoxítona e esse tipo de acentuação o agrada. Proparoxítonas são palavras fortes. Por outro lado, a palavra Vega, nome do outro programa para astrologia, é apenas uma estrela. Pegasus é constelação. Isso virou brincadeira, querela amigável com o companheiro e criador do Vega, Amauri Magnana.

Para elaborar o Pegasus, o Paulo desejou um critério de facilidade de acesso aos recursos da máquina. Ele queria uma simplificação no seu uso. E também não abriu mão de certa beleza. Portanto, apesar de ser um produto tecnológico, ele foi acrescentado de certos aspectos estéticos e psicológicos. Como ele mesmo declara, sua formação é como Psicólogo e não como Engenheiro. Portanto o Pegasus deveria ser um programa simpático e acolhedor, além de apresentar cálculos corretos e precisos.

Entre 1987 e 1988 a aceitação do programa Pegasus é grande. Até então as opções do Pegasus refletiam mais a forma de trabalhar do seu criador e das pessoas que o cercavam diretamente. O foco inicial eram os alunos do IPA (Instituto Paulista de Astrologia) e, pela parceria, os associados da ABA (Associação Brasileira de Astrologia) tinham desconto nos dois programas Vega e Pegasus.

Em 09 de maio de 1988 é lançada a segunda versão do Pegasus, que na verdade é a primeira versão totalmente comercial, incluindo opções para atender um público maior e que usava técnicas e sistemas diferentes. Nessa época o Amauri e o Paulo muitas vezes saíam juntos com o Carlinhos Fini (que foi fundamental no marketing), para apresentar seus programas, através de contatos com Alexandre Fücher, da Escola Regulus, Maurice Jacoel, Valdenir Benedetti, além de Antônio Facciollo, que já era parceiro nessa conquista.

Essa tecnologia modificava imensamente o dia-a-dia do profissional da astrologia. O sucesso foi rápido. Anos depois, houve uma tentativa de criar um único produto unindo os três programadores que existiam naquela época no Brasil: o Floriano Possamai, (Canopus), Amauri Magnana(Vega) e Paulo de Tarso (Pegasus). Encontros aconteceram para troca de ideias e identificação de aspectos comuns para incorporar, além dos cálculos comuns, as características particulares de cada software, bem como a fácil conversão de arquivos entre os três. Tal projeto não vingou.

Nos anos 1993 e 1994 o Paulo de Tarso passou vários meses no Rio de Janeiro, mantendo contatos com o Otávio Azevedo, responsável pelo Astrotiming e com a Maria Eugênia Capparelli, da escola Astrociência, na época os principais centros cariocas de Astrologia. Desses encontros, algumas novas opções foram acrescentadas ao Pegasus, já que a astrologia no Rio tinha seguido um desenvolvimento diferente do que aconteceu em São Paulo.

O programa foi passando por modificações, tornando-se mais completas suas competências e mais profissional sua apresentação, agora acondicionado em caixa adequada além de contar com manual impresso. Esse é um grande momento do programa, amadurecido após grandes dificuldades e muito trabalho.

A partir desse momento, são necessárias ainda atualizações temporárias, porque os cálculos astrológicos estão imersos no mundo da tecnologia, em que as mudanças não param de avançar.

Por exemplo, as telas em preto e branco, ganham cor, e surgem os desenhos coloridos, tela cada vez maiores e surgimento de sistemas operacionais que promovem a interação maior com o usuário. Com o aparecimento do programa Windows , a leitura passa a ser diferente, com botões que funcionam de forma nova exigindo uma visão de programação completamente diferente. Para se ter uma ideia, nos antigos programas em DOS, o computador esperava calmamente o usuário seguir uma sequência pré-programada de instruções. No Windows é possível fazer várias coisas simultaneamente o que inclui apertar vários botões ou editar vários campos ao mesmo tempo. Muitas adaptações foram necessárias.

Some-se a isso o ressurgimento de técnicas astrológicas de extrema complexidade para o cálculo manual que ocupam uma fração de segundo no computador. O melhor exemplo disso é o cálculo das direções primárias, realizadas apenas para reis, pela extrema dificuldade do cálculo manual. A complexidade de interações de cálculos em sistemas diferentes (um sistema para cada planeta) forçava um trabalho de semanas para conclusão do cálculo. Apesar da facilidade do cálculo no computador é uma técnica que até hoje amedronta os estudiosos pela ideia de "dificuldade" que ela carrega e ainda é pouco usada pelos profissionais.

É muito comum o pedido (por vezes bastante insistente) para que seja incluída a interpretação do mapa natal junto aos cálculos matemáticos como já acontece com muitos softwares, como o Vega brasileiro e o SolarFire americano. Embora reconheça a vantagem comercial de ter interpretação no Pegasus, o Paulo resiste muito a isso, que considera "um tiro no pé". Se os astrólogos começam a distribuir interpretações impressas de maneira simples e mais barata isso vai acabar se tornando o padrão e tornando difícil o trabalho do Astrólogo.





DEPOIS DO PROGRAMA DE COMPUTADOR, O QUÊ?

Por que e para quê a computação? O que aconteceu com o profissional da astrologia com o aparecimento da tecnologia? Que mudanças ocorreram em sua atuação profissional?

No início, era uma aberração ter um aparato tecnológico para fazer mapa. Astrólogos e clientes concordavam que não era adequado utilizar a máquina. Cada um tinha seus argumentos, por vezes não muito conscientes de sua significação.

Os astrólogos se negavam mesmo a usar computador já que seu trabalho seria artesanal e respeitado quase como uma atividade especial demais para ser maculada por uma máquina. Ainda hoje existem profissionais que consideram a Astrologia uma arte, exercida a partir de uma leitura intuitiva do mapa natal.

Por sua vez, para o cliente, uma máquina poderia tirar do astrólogo uma aura de misticismo que naquela ainda era muito comum ao exercício da profissão: ele seria uma espécie de guru. Não podemos ignorar que a imagem do astrólogo se misturou durante muito tempo com essa noção de guru, aquele que -entre outras coisas- detém o grande segredo. Ainda hoje podemos encontrar essa imagem junto ao profissional da astrologia .

 Podemos citar também a dependência que tal postura ajuda a criar entre cliente e profissional. Há muitas maneiras de lidar com o poder que um segredo pode deter. Se o profissional detém o segredo, tem também o poder e o cliente poder auferir das qualidades que ele representa. Talvez essa postura, ainda se mantenha de certa forma, mas tem sido inexorável o sucesso dos programas como ajuda essencial no exercício da profissão. Assim como a mudança na imagem do profissional da astrologia.

Pouco a pouco a eficiência e a rapidez venceram e todos concordam que é racional e lógico fazer uso da tecnologia para trazer eficiência nos cálculos. Os softwares facilitaram a pesquisa. Hoje em dia é impossível negá-la.

Novos tempos, novo profissional da astrologia.



PS: Agradeço a parceria inestimável de Paulo de Tarso Ferreira não só na fase de coleta de informações como também na produção deste texto, assessorando pacientemente na terminologia técnica e em outros dados.

terça-feira, 10 de maio de 2016

GEA, CENTRO IRRADIADOR DA ASTROLOGIA PAULISTA

A Escola Gea desenvolveu durante cerca de vinte anos (1980 e 2002) em São Paulo uma atividade educadora que contribuiu sobremaneira para a formação do profissional da astrologia.

Em muitos aspectos, teve um papel precursor como por exemplo, ao montar um currículo estruturado em níveis semestrais, ao mudar o conceito de remuneração do professor e ao definir a Astrologia Psicológica como sua linha de atuação dominante.

Quando ela começou era uma época em que a astrologia tinha no público um apelo diferente em vários aspectos e talvez maior do que hoje em dia. Sendo escola, ela funcionou como polo formador do profissional, agregador de pessoas em torno de um objetivo e divulgador do conhecimento astrológico.

Para o levantamento destes dados foi organizada uma reunião em 2012 com alunos e professores que dela participaram. Isso aconteceu pela cooperação de Elizabeth Friedrich , uma das pessoas responsáveis pela escola, que fez empenho nesse resgate e também pela presença de cerca de trinta pessoas.

Depois dessa reunião, foi escrito o artigo que está publicado no site Constelar, um olhar brasileiro em astrologia :  GEA, centro irradiador da Astrologia paulista

Entre no link abaixo indicado e saiba mais dessa escola que teve atividade exemplar. Acompanhe como ela se desenvolveu. Memória e experiência para enriquecer nosso momento presente.

http://www.constelar.com.br/constelar/172_outubro12/escola-gea-sp.php




quarta-feira, 6 de abril de 2016

ANTÔNIO OLÍVIO RODRIGUES, PRIMEIRO ASTRÓLOGO BRASILEIRO

alguns dados de sua vida

Antônio Olívio Rodrigues tinha consultório para atendimentos astrológicos em São Paulo no ano de 1906. Além dessa atividade comprovada em folhetos de divulgação, Antônio Olívio Rodrigues fundou a Editora Pensamento, criou o Almanaque do Pensamento e o Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento.

Desde seus primeiros estudos (entre 1901 e 1902) até a realização da editora (1907) e do Círculo (1909) foram pouco mais de sete anos em que ele deu um salto enorme em direção à busca do conhecimento e de sua vocação.

Chegado ao Brasil, vindo de Portugal como imigrante em 1890 ainda adolescente, ele teve uma vida de muito estudo e realizações com uma perspectiva lúcida da importância da comunicação de suas ideias e conhecimento. Atingiu o coletivo com uma mente atenta às novidades de sua época.

Percebeu logo cedo formas de divulgar suas ações, usufruiu da propaganda e do trabalho de marketing, na mídia em jornal e nas revistas que eram então populares e eficientes. Como pensador e filósofo acumulou estudos e leituras. Desvendou as teorias de sua época. Teóricos espíritas, pensadores como Helena Blavatsky, Eliphas Lévi, Max Hendel,  Prentice Mulford, Ramacharaca, Max Heindel, todos fizeram seu mundo cada vez maior. Filiou-se a ordens espiritualistas daqui e de outros países. Encontrou parceiros e com sua capacidade política e de empreendedorismo agregou todos para a realização de suas obras.

A partir de precárias condições iniciais chegou a um posto de protagonismo em todas as áreas em que investiu.

o mapa astrológico de Antônio Olívio

A astrologia ganhou um lugar de destaque na obra de Antônio Olívio. Em 1917, publica o primeiro livro de astrologia na Coleção Ciências Herméticas e um segundo de técnicas.

Apesar de não sabemos a hora de seu nascimento (até o dia é motivo de dúvidas!), tentamos a análise de seu mapa. Suas maiores realizações ocorreram na época do retorno de Saturno. Tal evidência me deu coragem para levantar estas hipóteses.

Segundo informações da bibliografia do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, ele nasceu no dia sete de outubro de 1879.

O Sol em conjunção com Mercúrio (Libra) indicaria sua natureza política e agregadora. Essa dupla em oposição a Saturno em Áries mostraria seu espírito de luta e realização e tornaria seu pensamento e comunicação obstinados na busca da melhor maneira para divulgação de suas idéias (Lua em Gêmeos nas primeiras horas do dia). O trígono de Urano (Virgem) e Netuno (Touro) lhe empresta uma visão maior da vida e Plutão em conjunção com Marte (Touro) nos diz que ele suportava estresse na busca persistente de seus objetivos.

O planeta Vênus (Virgem) em trígono com Marte e Plutão indicaria relacionamentos intensos e transformadores. Júpiter (Peixes) mostraria a relação positiva com as questões filosóficas e de ordem coletiva, uma grande compreensão das questões da sociedade, um espírito humanitário. A oposição de Júpiter com Urano nos mostra um impulso para quebrar as limitações impostas pela sociedade e um desejo de inovação. A ênfase nos signos de Terra é sinal do espírito realizador de Antônio Olívio.

Observamos seis planetas retrógrados o que lhe emprestaria um aspecto reflexivo e introversão necessária para o desenvolvimento de sua mente privilegiada. 

Por trânsito, verificamos que suas maiores conquistas (a fundação da empresa editorial e da associação) aconteceram entre os anos de 1907 e 1909 quando ele estava entre os vinte oito e trinta anos: época da progressão da Lua e do retorno de Saturno. 

Nessa época, mobilizando as pessoas em volta de si e empreendendo, ele imprime sua marca na realidade (o retorno de Saturno). Essas ações concretizam (ênfase de Terra) suas idéias humanitárias e desejos (Júpiter em Peixes).

Apesar de serem especulações, tais observações podem valer por ele ter sido o primeiro astrólogo profissional brasileiro.

Como deixar de tentar tal análise?

Observação: Há um artigo com detalhes desta vida e obra surpreendentes e que inclui um estudo mais detalhado a respeito do mapa astrológico de Antônio Olívio no site Constelar. Leia no link abaixo indicado: Antônio Olívio Rodrigues, a história de um precursor.


Leia o artigo e saiba mais detalhes da biografia e vocação desta personagem.


quarta-feira, 30 de março de 2016

A ÉPOCA DE OURO DAS LIVRARIAS

Houve uma época em que as livrarias tiveram uma presença muito importante na divulgação da astrologia. Havia uma mobilização em torno delas, que eram o local de chegada das novidades da época.

As décadas 60, 70 , 80 e 90 refletiam os efeitos do que ocorrera nos anos 60 quando tivemos a conjunção de Plutão e Urano no signo de Virgem. A sociedade mundo tinha sido abalada por conflitos e crises que mudariam a imagem de tudo e deixariam um rastro de grandes transformações.

Nesse contexto havia a promessa de um mundo novo. Havia aberturas em diversas áreas da cultura, da arte e do pensamento. As livrarias eram a porta de entrada para a disseminação dos efeitos dos acontecimentos citados. Livros, jornais e revistas locais e internacionais assim como encontros e palestras faziam circular as ideias e as artes desse mundo novo.

O bordão desse novo mundo trazia pessoas aos eventos de astrologia nesses espaços junto ao público. Não havia ainda a concorrência de outras novidades na área divinatória e esotérica que chegariam um pouco depois. Era um mundo sem internet, sem a imediatez das comunicações que começou a se popularizar um pouco depois de forma mais ampla.

Algumas das livrarias tiveram uma função divulgadora da astrologia. Entre elas podemos citar as livrarias Spyro, Horus, Zipak, Triom e Arjuna que funcionariam como ponto de encontro para o público e local para profissionais mobilizarem seu conhecimento. Formavam um ambiente para trocas que hoje pode ter seu paralelo nos grupos que se formam nas redes virtuais. Algumas delas fecharam, outras ainda se mantêm em funcionamento, mas foram perdendo tal função. Hoje observamos que elas tentam manter a função de espaço de convivência e trocas em uma diversificação de assuntos, característica própria a um mundo conectado e que atende aos apelos de um público exigente que tem interesses múltiplos.

A chegada da internet trouxe mudanças incontornáveis. Outros aspectos podem ter interferido nessas mudanças e na perda de espaço da astrologia nas livrarias. A abertura de outros empreendimentos comerciais como as lojas grandes como a Fnac ou a presença de portais de comércio como a Amazon são movimentos irreversíveis.

Vale a pena lembrarmos de como foi essa fase das livrarias. Foi um tempo especial, foi uma época de ouro.

A Spyro foi uma dessas livrarias que ampliaram o contato com seu público e propiciaram espaço de trocas de conhecimento. Talvez tenha sido a que mais expandiu informações e conceitos astrológicos.




Spiro, uma livraria especial

Ela foi fundada em outubro de 1991 e fechou as portas em agosto de 2005. A intenção da livraria era espalhar ideias novas tais como a ampliação da consciência e o conceito do autoconhecimento e da espiritualidade.

A primeira locação da livraria era uma casa pequena, um sobrado na avenida Lorena que combinava com os objetivos a ela destinados. Ampliou o espaço para a casa ao lado, depois voltou ao tamanho inicial, tendo sido sempre um convite para encontros.

O grupo fundador reunia pessoas com experiências pessoais interessantes. Desenhava-se a “experiência Spiro”. E havia também uma frase, na verdade um conceito, que era distribuído pelos espaços e frequentadores: Livros de conhecimento do homem e do mundo. Havia conceitos e intenções que contribuiriam para materializar a forma como a livraria funcionaria.

Várias pessoas passaram pela organização societária da empresa. Cada uma deixou sua marca, suas preferências o que pode ter gerado o perfil flexível e rico que a livraria ganhou. As pessoas mais frequentes foram Patrícia Aguirre, Marinos Van Der Molen e Lili Guimarães.

Lili acrescentou sua marca pessoal no projeto de divulgação por meio de folhetos enviados mensalmente por correio. Eram desenvolvidos em papel reciclado com bom gosto e variadas seções. Começava com uma apresentação do mês em texto sugestivo, linguagem informal e seguia com indicações de leituras, eventos do mês (cursos e palestras) e indicação de CDs. A seção “Amigos da Spiro” antecipava uma política de fidelização de cliente e com simpatia divulgava eventos e trabalhos.

Entre as inovações havia a importação de livros e CDs de música como a étnica e a new age. A livraria se preocuparia em manter as seções atualizadas de acordo com o que havia de melhor em catálogos estrangeiros.  

No texto de maio de 1999, o folheto diz: “Acredito nesta Spiro: acolhedora, rica, curiosa e inquieta, uma Spiro cheia de alegria e boa vontade para receber a vida como ela se oferece e absolutamente determinada a jogar um olhar na beleza , na harmonia, na evolução do nosso dia a dia, do nosso estilo de vida, enfim”. Era um propósito ousado e sedutor. Dentro dessa filosofia, além dos livros, o cliente iria para trocar ideias, tomar um café o que naquela época não era comum, ler uma revista ou descansar depois do bate-pernas pela vizinhança.

Lucely Kerikian , que exerceu várias funções, foi a profissional que participou o tempo todo da vida da livraria desde seu momento inicial até o fechamento. Podemos dizer que ela era a representação física da Spyro.

Vários assuntos tinham seu espaço garantido nos eventos e prateleiras, entre eles a contação de histórias (com Regina Machado) e a mitologia (com Viktor Sallis). Havia também cabala, pathwork, meditação, artesanato, curso em milagres e muita astrologia. Mas eu posso supor que a astrologia foi o assunto que mais mobilizou a livraria pela quantidade de eventos realizados e pelo público expressivo que acomodava.

A organização desses eventos relacionados durante muito tempo esteve sob a responsabilidade de Ana Cristina Abbade. Eles ocorriam com regularidade e variedade: lançamento de livros, mesas-redonda, palestras. Chegaram a ganhar espaço na mídia com César Giobbi no jornal O Estado de São Paulo.

Na astrologia, especialmente de 1996 a 2002, aconteceram comemorações de equinócios (com leitura de planetas em mapas), mesas redondas com temas da época tais como a questão ética e religiosa (a clonagem de Dolly), o grande eclipse de 1999 e o encontro planetário do ano 2000. Houve entrevistas, lançamentos de livros e cursos rápidos. Em junho de 2000, houve uma noite de autógrafos com Noel Tyl, astrólogo americano convidado.

São estes alguns dos astrólogos que participaram dos eventos: Ademar Eugênio de Mello Amâncio Friaça, Ana Cristina Abbade, Ana González, Bárbara Abramo, Betoh Simonsen, Carlos Fini, Ciça Bueno, Cláudia Furtado, Douglas Marnei, Luiza Olivetto, Lydia Vainer, Márcia Mattos, Maria Alice Camargo, Maria Tereza Nabholz, Marylou Simonsen, Maurício Bernis, Mônica Murgel, Oscar Quiroga, Paula Falcão, Robson Papaleo, Rose Villanova, Sandra Perin, Sérgio Frug, Valdenir Benedetti.

Cada época guarda suas características. É importante resgatar o papel imprescindível da livraria Spiro para a astrologia em São Paulo. 



Folheto de divulgação enviado pelo correio e dobrado em três.



Divulgação de evento astrológico, organizado por Valdenir Benedetti.



Um folheto com mensagem - destaque para o cuidado do material feito pela livraria.







quarta-feira, 16 de março de 2016

FASE II: TRABALHO COLABORATIVO

Nos anos de 2011 e 2012 desenvolvi uma série de atividades com a intenção do pesquisar a astrologia em SP.

Os motivos desse esforço eram muitos: houve muitos astrólogos que têm trabalhado ao longo das décadas em grupos de estudo, instituições, eventos e atendimentos fazendo astrologia. Registrar esse trabalho era importante para que ele não se perdesse e porque a astrologia é um produto cultural que se transforma com os contextos históricos. Além disso cada um desses tempos pode contribuir para a construção de uma identidade da astrologia de nosso País.

Retomado em 2016, após interrupção de três anos, a partir dos mesmos objetivos, ele ganha outro formato. No momento atual ele é colaborativo e conta com co-autoria de profissionais que, por terem perfil de pesquisador e/ou poderem escrever textos,se dispuseram a participar da narrativa dessa história.Leia a primeira postagem da Fase I no link ao lado.

Este blog tem a função de divulgar notícias e textos relacionados aos processos da tarefa dessa equipe. 

Estão mantidos os primeiros textos e fotos do blog durante a primeira fase no ano de 2012. Eles falam das reuniões organizadas para a coleta de dados e outros detalhes daquela fase.

Neste novo momento do blog, os conteúdos serão classificados em editorias descritas a seguir.

Escolas e instituições apresentará os locais de instrução, formação e associação dos profissionais.

Em Livrarias e editoras serão enumerados os locais responsáveis pela divulgação dos conhecimentos astrológicos.

Os eventos apresentados nesta editoria foram importantes por sua configuração e aspectos do contexto em que se realizaram.

mídia, configurada por rádio, TV, impressa (jornais, revistas) e internet, é elemento de contato com o público e tem se modificado ao longo do tempo.

A editoria programadores nos conta como surgiram os recursos que transformaram essencialmente as operações de cálculo astrológico.

Em astrólogos, acompanharemos a descrição de perfis e depoimentos de profissionais que participam ou participaram desta história.

Em Notícias encontraremos informações de natureza variada de acordo com a necessidade dos passos deste trabalho.

Compartilhe este trabalho. Colabore com notícias, sugestões e comentários.

Seja bem-vindo!

Ana Maria M. González - Coordenadora

quarta-feira, 2 de março de 2016

PELA DIVULGAÇÃO DA ASTROLOGIA


No dia 30 de Julho de 2012 aconteceu uma reunião para resgatar a memória da Astrocampi, uma associação que se localizou em Campinas, cidade perto de São Paulo, instituída por Rose Villanova e Fernando Guimarães.

Entre os anos de 1988 e 1997, essa associação realizou encontros e eventos, colaborando para a expansão e a divulgação do conhecimento da Astrologia com qualidade.

Desse momento participaram os astrólogos Rose Villanova, Fernando Guimarães e Darci Lopes, a quem agradecemos a presença.

Agradeceremos também sua colaboração no levantamento de dados relacionados a essa instituição, caso você tenha participado de algum evento e possa nos enviar fotos e/ou informações.      

Ana González
Coordenação