sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

GIRASSOL – CENTRO DE ESTUDOS DE ASTROLOGIA

Antonio Brito  


Mais do que uma escola de Astrologia, a Girassol é um centro de estudos onde o principal objetivo é ‘elevar’ o status da Astrologia, formando profissionais realmente competentes.”(Maurice Jacoel em 1989)


ORIGEM



Maurice Jacoel
Maurice Jacoel nasceu no Egito, mas vive no Brasil desde 1977. Formado em Filosofia pela USP, tornou-se astrólogo e desenvolveu nos anos 80 um tipo de Astrologia pouco conhecida na época: a Astrologia Empresarial.

Em 1987, Maurice e Constância Nader resolveram criar uma escola de Astrologia, o Centro de Estudos de Astrologia Girassol, que ficava na Rua Girassol 231, Vila Madalena em São Paulo.Os dois chegaram a fazer contato com a Secretaria de Educação, no intuito de um reconhecimento oficial do curso e da regulamentacãoda profissão de astrólogo.

A Girassol nasceu de uma perspectiva que congregava astrólogos de várias tendências e caminhos, em um espaço multidisciplinarque permitia a troca e a integração de conhecimentos.

Dessa ação pioneira participaram outros astrólogos: Sônia Barros, Maria Alice Camargo, Amâncio Friaça, Valdenir Benedetti, Henriette Fonseca, Ricardo Riseck, Ion de Freitas, Valderson, Beto Botton, Bárbara Abramo; entre outros.

ATIVIDADES DA ESCOLA




Mais do que uma escola de Astrologia, a Girassol era um centro de estudos onde o principal objetivo era formar profissionais competentes. Devido a isso, oferecia cursos de Astrologia desde o Básico para iniciantes e curiosos, até os mais específicos de Interpretação e Previsão, para os estudantes mais avançados e astrólogos.

Além de Astrologia, a escola Girassol oferecia cursos de Tarô, I-Ching e Metafísica. Havia também um curso chamado “Perspectivas Esotéricas na Estética Cinematográfica”, ministrado pelo professor de estética da FAAP Ricardo Risek, que abordava a linguagem dos símbolos contida em filmes como Blade Runner, Coração Satânico e outros.

A astróloga Maria Alice Camargo e a psicóloga Vivian Hamann Smith conduziam o Astrodrama, que era uma combinação dos conhecimentos da Astrologia e Psicodrama, trabalhado de acordo com a posição do mapa astrológico de cada participante. O desenho do mapa era feito pelo computador. A interpretação do Sol, da Lua e dos demais planetas era dramatizada por cada um, de acordo com a posição dos astros no mapa.

A ideia fundamental da Girassol era estabelecer uma integração entre várias áreas de conhecimento, mas sempre focada na formação do astrólogo e no desenvolvimento pessoal e coletivo dos seus participantes.

Cada aluno podia fazer um ou mais cursos, conforme o seu interesse, e também podia participar de palestras, vivências, workshops e outras atividades.

A Girassol era um espaço aberto não só aos estudantes, mas também a todos os interessados aos assuntos que eram ofertados: profissionais interessados em dar cursos, apresentar temas de pesquisa, seminários ou simplesmente trocar informações, podiam procurar a escola.

A escola Girassol funcionou até o ano de 1992. No entanto, seus integrantes continuam na ativa como astrólogos até hoje.









Antonio Brito é astrólogo especializado em Astrologia Clássica e Horária e participa da equipe que realiza a pesquisa na História da Astrologia em SP. http://astrologiaecompanhia.com.br/

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

ASTRO*LOGOS, UMA ESCOLA, UM IDEAL, UM LEGADO


"Minha função é só ir passando o que vou coletando desse passado maravilhoso.
Vivíamos um clima cheio de esperança, de ideais, de união."
Mônica Alencar


Mônica Alencar e Valdenir Benedetti montaram uma escola em São Paulo, que funcionou de dezembro de 1988 a 1992. Como cada escola tem um estilo próprio, vejamos as características desta que, entre outros aspectos, ganhou especial divulgação na grande mídia.  






ORIGEM GREGA

Mônica Alencar havia passado quatro anos na Grécia onde tinha estudado mitologia, filosofia e astrologia. Havia trazido na bagagem o desejo de fundar um instituto que trouxesse uma variedade de conhecimentos e saber como outrora tinha acontecido na Grécia Antiga.

Em um congresso no Rio de Janeiro conhece Valdenir Benedetti. A partir desse encontro, Mônica foi conhecendo outros astrólogos brasileiros. Tudo era favorável e, assim, todos foram se juntando no desenho de suas intenções. A empresária Renata Pierotti se ocuparia das questões administrativas.

O convite e folheto distribuído na inauguração foi desenhado por Newton Mesquita, arquiteto, artista plástico e fotógrafo. Colunas gregas foram escolhidas como símbolo por serem a fiel representação de uma arquitetura e civilização que tinham marcado os estudos de Mônica. O nome escolhido, ASTRO*LOGOS, enfatiza nos elementos semânticos a origem grega e as intenções desse empreendimento.

Valdenir Benedetti se encarregou do folheto de apresentação da escola na maior parte de seu conteúdo. Na frase a seguir, ele descreve as motivações e objetivos da instituição: “O ASTRO*LOGOS encara a astrologia como um instrumento de crescimento do SER, uma linguagem que nos dá a possibilidade de reatarmos o contato perdido com a NATUREZA – a nossa NATUREZA.”

Essa perspectiva astrológica que pode ser muito difundida hoje em dia, naquela época representava o que de melhor começava a aparecer como reflexão a respeito dos objetivos da astrologia.

Além da função e do conceito de astrologia esse folheto divulgava também as atividades, os professores fixos e os convidados. Alguns dos workshops tratavam de assuntos tais como o tarô, cinema em abordagem junguiana, o simbólico, astrologia cármica e esotérica, lunações, sonhos em uma ousada variedade de interesses afins.

Os professores da escola eram além de Mônica Alencar e Valdenir Benedetti, Wanderlei Vernilli, Marylou Simonsen, Zeferino Pina Costa e Antônio Carlos Bola Harres. Os convidados eram muitos entre os quais podemos citar Ademar Eugênio de Melo, Cláudia Castelo Branco, Márcia Mattos, Walderson de Souza e Heloisa Cupini.




INDO ALÉM, ASCENDENTE SAGITÁRIO

O espaço físico escolhido era grande e, portanto, compatível com a dimensão do projeto: um instituto que apresentaria os saberes como teria acontecido na Grécia Antiga. Com Ascendente e Sol em Sagitário, a escola teria que ter a marca desse Arqueiro.

A escola ocupava o térreo de um imóvel de três andares em bairro bem localizado na esquina da rua Manoel Guedes com a rua Pedroso Alvarenga. Ele foi reformado por Mônica para servir aos objetivos da escola e contava com recepção, salas de consulta, de aulas, biblioteca. Tudo foi cuidadosamente pensado, tendo ganhado até elementos de decoração especiais tais como um desenho do artista plástico Antonio Peticov.


A inauguração ocorreu em dezembro de 1988. O espaço das ruas em volta foi fechado com velas da artista Giada Ruspoli. O gelo seco na entrada e as mesas em pedras de ardósia polida desenhavam um ambiente elegante e com um toque à frente do tempo e, ao mesmo tempo, lúdico. Foi uma grande festa com garçons e prestigiada por gente importante do meio astrológico, amigos e pessoas da sociedade em geral como Olavo Setúbal Filho e sua esposa Nadja, Maria Eduarda Melão, Maria Eudóxia Melão, Rosita Schmit de Vasconcellos (organizadora do jantar) Elzinha Barroso, fotógrafa, Soninha Gonçalves, assessora de imprensa que cobriu o evento. Estiveram também presentes Zeferino Costa, Marylou Simonsen, Márcia Mattos e Milton Maciel entre outros.

Os objetivos Ensino e Pesquisa foram escolhidos como base essencial de todas as atividades. O ensino da astrologia teria aberturas a novidades, sem rigidez de qualquer tipo, inclusive acadêmicas. Pesquisar significava entender a Astrologia como um universo de possibilidades amplas, um tanto além da visão determinista. O mapa natal seria observado como um recurso a ser explorado, sem fatalismos. Ensino e pesquisa deveriam servir à busca do simples, tirando as arestas, em direção à alma. Era uma ação transformadora que desejava atingir a essência do ser humano, sem enfeites desnecessários.  

A divulgação promoveu a escola na grande mídia. Os jornais Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo publicaram matérias grandes. Mônica ganhou matéria de capa do Caderno especial Jardins de O Estado de SP em 14  junho de 1991, que tinha o título Onde o oculto é levado a sério. Em outra matéria ela foi uma das cinco personalidades que beneficiaram a cidade de São Paulo, um destaque de 1991.

Ela atendia como clientes editores de revistas como a Vogue (Fernando Bastos) e Desfile (Elza Lucchesi) e empresários, tais como Perla Nahum que lidava com grandes eventos no mundo da moda e dos negócios. Depois de uma entrevista dada no programa do Amauri Jr, ela se tornou uma das imagens na apresentação do programa por cerca de dois anos. Recebeu convite para a elaboração da campanha de eleição de Fernando Collor entre outros.

Foi uma espécie de conspiração cósmica para que as ações se multiplicassem e a escola cumprisse seu destino de ampliar a divulgação da Astrologia para outros mundos com credibilidade e respeito.

Em entrevista, Mônica Alencar mostrou-se cheia de entusiasmo e de saudades ao lembrar a construção dessa escola que foi seu grande legado construído com determinação, foco e disciplina. Valdenir Benedeti foi, sem dúvida o grande parceiro no desenvolvimento desse ideal.

Érico Vital Brasil esteve presente à inauguração. Com Mônica criou um projeto de junção da ASTRO*LOGOS com a escola carioca Astrociência, realização dele que formou uma importante geração de astrólogos no bairro de Laranjeiras. Como diz o folheto de inauguração, as duas escolas “têm um propósito comum: fazer uma astrologia de seriedade. ”

A citação a seguir, na apresentação da escola, nos diz da missão e exercício da Astrologia: “A ASTROLOGIA é uma maneira de aprendermos a utilizar as potencialidades adormecidas, os recursos interiores que esperam pelo estímulo do conhecimento. Ela possibilita uma real integração entre o indivíduo e sua essência. Somos “buscadores “: do conhecimento, da transformação, enfim, da consciência. Assumimos o compromisso com essa busca. ”


OBS: Mônica Alencar na época da escola tinha o nome de casada, Mônica de Castro, conforme aparece nas matérias da mídia.



Estadão
Estado de São Paulo






Inauguração





Inauguração
Inauguração
A escola
A escola

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

MINHA AMIZADE COM VALDENIR BENEDETTI

Autor: Douglas Marnei


Nós bebemos na mesma fonte, tivemos aulas com o professor Wanderley Vernili quando iniciei meus estudos de Astrologia no período de 1977 a 1979. O professor Wanderley dava aulas de graça para uma turma de mais de 100 alunos em um salão paroquial na Vila Nova Conceição. As aulas eram ditadas e os alunos tinham que anotar rapidamente os ensinamentos, para aprimorar o Mercúrio segundo o mestre.

Interrompi os estudos por cinco anos devido ao nascimento de meu filho Icaro e retornei em 1984 com o colega Maurice Jacoel e depois com outros professores. Soube que o Valdenir teve uma escola de Astrologia na Vila Madalena junto com o Edmur Balle, meu amigo de infância da cidade de Pompéia no interior de São Paulo. Ambos tinham sido alunos do professor Wanderley e evoluíram para a condição de professores.

Em 1991 Valdenir e Cintia Turella di Stasi, sua parceira da Cintila Eventos, trouxeram a astróloga Donna Cunningham para o Brasil. O evento aconteceu nos dias 24 e 25 de agosto na Sala São Luiz, na Avenida Juscelino Kubitschek. O livro “Plutão no seu mapa Astrológico” da simpática astróloga americana havia sido lançado pela Editora Pensamento e os temas tratados no Seminário foram Plutão, evidentemente, e terapia com florais.

Logo após comecei a ter aulas com o Valdenir na Escola Planeta de Astrologia na Rua Pamplona, cujo primeiro logotipo foi elaborado pela Artista Plástica e Astróloga Mônica Grohmann (vide ao lado). Foram vários anos de cursos com uma turma assídua quando construímos uma grande amizade.

Valdenir utilizava algumas técnicas de interpretação como a que foi denominada de “provolone”, devido ao formato do gráfico, no qual diante de uma determinada questão Q, procurávamos o Indicador Universal, o Indicador Essencial e o Indicador Acidental. Por exemplo, em uma determinada questão de valores trazida pelo consulente, procuramos primeiramente a Vênus do mapa, que é o Regente Universal da Casa II. Depois vemos o regente da casa II do mapa em questão, que é o Indicador Essencial e por fim, caso houvesse um ou mais planetas na Casa II, estes seriam os Indicadores Acidentais.

Outra técnica que ele costumava aplicar era a do Oposto Simbólico, por onde fluía a expressão inadequada dos signos. Define-se um outro diagrama no Zodíaco onde cada signo tem seu Oposto Simbólico, sobre a tese de que os do elemento Terra se opõe aos de Fogo e os do elemento Ar se opõem aos de Água.

A Árvore dos Dispositores também era utilizada como acessório para a interpretação dos temas. Era uma outra estrutura de relacionamento dos planetas no mapa baseada na regência moderna dos planetas sobre os signos, onde o regente tem a sua disposição os ocupantes de seu signo. O topo da estrutura eram os planetas domiciliados que hierarquicamente dispunham dos demais e assim sucessivamente. O interessante é que cada mapa tem uma árvore própria, como se fosse uma impressão digital.

Valdenir desenvolveu também uma estrutura do mapa baseada nos arquétipos junguianos e na obra de Carlos Castañeda , onde o Guerreiro, o Mago, o Amante e o Rei ocupavam os pontos da cruz cardinal relativos aos signos de Aries, Câncer, Libra e Capricórnio. Esta estrutura foi se ampliando em um gráfico cada vez mais complexo e acabou sendo tema de uma palestra no 3º Simpósio de Astrologia do Sinarj em 1999 sobre “A Arte Astrológica de Ser Guerreiro”. Seguem aqui dois links para assistir esta palestra:


Além disto, ele recomendava a mudança de local para passar o aniversário de modo que a Revolução Solar produzisse um ano auspicioso para o cliente, evitando possíveis aspectos negativos com os luminares e o ângulos do mapa.

Ele era um grande empreendedor em prol da Astrologia, tendo organizado inúmeros congressos, como um que aconteceu na FAAP em 1993, ano de publicação do seu primeiro livro, ocasião em que eu vi pela última vez o professor Wanderley.

Na Escola Planeta aconteciam encontros dos alunos com troca de informações destinadas às diversas turmas, e me lembro de um sábado quando eu tive o prazer de proferir uma palestra logo após a do Roberto de Carvalho, esposo da Rita Lee, um escorpionino de primeira linha.

No andar térreo da Escola Planeta existia o Espade - Escola Paulista de Arte e Decoração, onde ele organizou dois encontros de Astrologia de que tive a oportunidade de participar como palestrante. O primeiro foi no Ano Novo Astrológico de 1997 denominado “1º Encontro da Astrologia em São Paulo” (folder anexo) e o segundo em setembro de 1998 denominado “Astrologia do Amanhã”.

Ele dava muita atenção aos sonhos e me lembro de um curso que fiz com ele onde uma situação ficou marcada em minha memória: se você sonhar que está atravessando um rio, a nado, de barco ou por uma ponte, é sinal que sua vida terá uma mudança radical.

Outra paixão era a fotografia, sendo que possuía câmeras de alta definição com as quais desenvolvia um trabalho profissional de excelente qualidade e ao mesmo tempo dava vazão a sua veia artística, tendo inclusive recebido prêmios pelas suas fotos.

Possuía uma relação muito intensa com a informática. Utilizava sem restrições os programas de cálculo de mapas em computador e participava de listas de astrologia, algumas sob o pseudônimo de Jonas Bee, onde tinha discussões acaloradas com os outros participantes.

Na vida pessoal, Valdenir, este capricorniano de Sol e Lua com Ascendente Escorpião tinha um senso de humor apurado. Costumava criar neologismos ou interpretações etimológicas de determinadas palavras. A mais famosa era a do místico, que teria sido derivada de “me estico”, ou seja, quando nos tornamos místicos nossa mente se amplia.

Após as aulas, a turma tinha por hábito ir à Trattoria do Sargento na Rua Pamplona com a intenção de conversar sobre Astrologia e tomar cerveja. Era uma maneira de fixar o conhecimento adquirido e trocar outras informações. Valdenir aparecia de vez em quando e a conversa ficava mais animada.

Em 1998 Valdenir desfez-se de todos os seus pertences e mudou-se para a Bahia. Ele me deu um autorretrato do pintor M.C. Escher, aquele em que ele segura uma bola de cristal e sua imagem está refletida na bola. Guardo com carinho este presente, mas depois disto nosso contato diminuiu, restringindo-se a congressos de astrologia e outros eventos.

Na década seguinte ele organizou alguns congressos no Largo do Arouche em conjunto com o astrólogo Maurício Bernis. Me lembro de um deles onde o Ademar Eugênio de Melo, já com muita dificuldade para enxergar por causa do diabetes, porém com uma memória impressionante, deu sua palestra sem ver os slides, assessorado por sua esposa que os ia trocando.

No site Constelar temos a última palestra de Valdenir com o título “Lua, criança interior, autorização para ser feliz” do dia 6 de junho de 2009, no centro de convenções do Hotel Atlântico, em Copacabana, como parte da versão carioca do Circuito Nacional de Astrologia, organizado pela CNA - Central Nacional de Astrologia. Este vídeo foi recuperado por Alexey Dodsworth, que o compartilha agora com toda a comunidade astrológica brasileira. 
Aqui vai o link: http://www.constelar.com.br/constelar/139_janeiro10/valdenir-benedetti1.php

Em seu blog Astrologia Transpessoal, Valdenir se auto definia assim:

“ Estudante e apaixonado pela Astrologia há mais de três décadas. Descobrindo agora que o tamanho do que não sei ainda é imenso, e o tamanho do que nem sei que não sei é inimaginável. Procurando fazer com que a Astrologia não seja apenas um blá blá blá mental e descritivo. Acreditando que a prática da Astrologia é mais do que alimentar ilusões ou autoimagens. ”

Aliás, ele dizia que Transpessoal não quer dizer apenas Além da Pessoa. Para a Astrologia, essa prática quer dizer mesmo é Através da Pessoa. Para quem quiser consultar o material ali armazenado, o link é:

Não podemos deixar de mencionar o Blog da Astróloga Rose Villanova, que disponibilizou inúmeros textos de suas correspondências com o Valdenir neste endereço:

Eu, Ana Cristina Abbade e Valdenir
em um evento no Rio em 1998
Sua partida para outro plano colheu a todos de surpresa, pois todos sentiam que ainda não era o momento. Sentíamos também que tínhamos perdido um amigo, um irmão de fé, um batalhador entusiasmado e apaixonado pela nossa amada Astrologia!


Este é um depoimento pessoal de minhas vivências com meu professor Valdenir Benedetti. Caso algum colega queira manifestar-se, com certeza vai nos enriquecer com suas informações.

Para finalizar vou transcrever a dedicatória que ele fez em um de seus livros, que acho muito oportuna para o momento:

“Douglas, meu amigo, um privilégio ter tido você a meu lado durante esta jornada que é minha vida e de onde surgiu este livro. Obrigado. Sei que você vai curtir. 19/set/97”

É claro que curti, Valdenir!

Douglas Marnei

Janeiro de 2017



O legado de Valdenir Benedetti

Além das aulas, palestras e cursos Valdenir nos deixou vários livros e apostilas nos quais suas ideias continuam vivas e disponíveis para os leitores. Apresentamos a relação deles em ordem cronológica:




- Autor do texto “Astrologia e Sintonia” no livro “Astrologia Hoje – Métodos e Propostas” editado por Massao Ohno Editor em 1985.




  



- Autor da apostila “Técnicas de Interpretação Sintética de um Mapa Astral” elaborada pela ASAS – Astrólogos Associados de Curitiba em 1990.








- Organizador do livro “Interpretação do Horóscopo: Técnicas e Estilos” editado por Editora Hipocampo em 1993.











- Autor do livro “Textos Planetários” de uma editora não citada em 1997.











- Autor do livro “Manual de Astrologia Essencial – Textos Planetários” editado por Editora Ground em 1999.











- Organizador do livro “Astrologia para um novo Ser” editado por Editora Roka em 2000.










- Autor do texto sobre o signo de Peixes no livro “Astrologia – Os Doze Portais Mágicos” editado por Editora Talento em 2001.










- Organizador e autor do texto “Os domínios e funções terrestres dos planetas no horoscopo” em “Segredos e Estilos – A Arte de Interpretação do Horóscopo” de 2008.






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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

DOS CÁLCULOS MANUAIS AOS PROGRAMAS BRASILEIROS, UMA VIAGEM PELO MUNDO DA COMPUTAÇÃO

Autora: Ana Maria Mendez González

 TI 59 com leitor de cartão
A chegada de novidades tecnológicas trouxe um entusiasmo que mobilizou os profissionais individualmente ou em grupos, na busca da adaptação da linguagem tecnológica para uso na astrologia, recurso essencial nessa prática profissional. Alguns detalhes dessa busca são desconhecidos de muitos de nós. 

Aí vão alguns passos desse caminho. Inicialmente faço a descrição sumária do desenvolvimento dessa tecnologia. Depois, relato alguns fatos junto às pessoas envolvidas e por fim, abro espaço para uma reflexão a respeito da tecnologia na prática do profissional astrólogo.

 Vale a pena uma viagem de volta a esse tempo. 

O DESENVOLVIMENTO DAS MÁQUINAS

Calculadora Cássio PB 1000
Um breve relato a respeito de calculadoras, computadores e memória nos colocará a par do contexto internacional, talvez diferente daquele a que os profissionais de astrologia em São Paulo (e no Brasil) tiveram acesso. Havia um descompasso entre o que chegava por aqui em relação ao que acontecia fora do Brasil. 

Na década de 70, as calculadoras passaram de mecânicas a eletrônicas e se popularizaram. A primeira da Casio A14  era de 1957 e pelo meio da década de 60 já havia mais de 50 marcas no mercado. Competição acirrada. 

hp 41com leitor de cartão e impressora
O primeiro computador apareceu na época da segunda guerra. Outras versões indicam mais de um. Controvérsias à parte, há uma cronologia no aparecimento dessa tecnologia no mercado internacional que na verdade não foi vivida dessa forma em nosso território. É difícil estabelecer a ordem pela qual as calculadoras e/ou processadores chegaram a nossos profissionais. Problemas legais em nosso país interferiram nesse processo. As máquinas e processadores mais antigos talvez tenham convivido com os mais modernos. Calculadoras com pouca memória (dado fundamental para o armazenamento de dados por certo tempo) estiveram junto daquelas que contavam com mais espaço para cálculos sofisticados.

A COLETA DE DADOS

ZOD Programa
A tecnologia para uso dos astrólogos em São Paulo apresenta vários capítulos, com muitas pessoas mobilizadas desde as primeiras calculadoras até o uso generalizado dos PCs com programas brasileiros. 

A maioria dos depoimentos colhidos para este artigo não apresenta certeza nas datas, e às vezes, nem indícios delas. Por essa ausência, não podemos afirmar a respeito de muitos fatos que podem ter acontecido ao mesmo tempo em locais diferentes. Mesmo assim, resolvidas algumas dessas situações, chegamos aos programas de astrologia brasileiros adaptados às máquinas mais modernas. Vitória da convivência amiga e de pessoas que generosamente se colocaram no papel de veiculadores de informações e de produtores de recursos.  

Para escrever este artigo, além de acesso a textos escritos e publicados, entrevistei pessoalmente Antônio Facciollo, Zeferino Costa, Rodrigo Arraes, Alexandre Fücher, Maurice Jacoel, José Maldonado Gualda e Roberto Andreoni Leonardi. Por meio das informações recebidas nesses contatos e lidas em material publicado nas mídias, pude fazer uma interpretação do que teria sido aquela época de ouro para os astrólogos que viveram a facilitação de seu trabalho. Além dos citados sabemos que foram ativos nessa área Adônis Saliba, Miguel Etchepare e Raul Varela. Apesar dessa longa lista, talvez ainda haja falta de outros nomes e dados, especialmente se pensarmos que os dados deste artigo se referem apenas a São Paulo. Mesmo assim, sempre que surgirem novos personagens e fatos, eles serão acrescentados. Agradeço colaborações. 

O INÍCIO

Assim como tinha acontecido com as trocas entre os profissionais na época dos cálculos manuais, em que eram partilhados livros técnicos, equações e publicações estrangeiras, também na época do aparecimento da tecnologia, houve a comunicação das novidades. Eram disquetes, rotinas em tiras de papel, equações adaptadas a serem distribuídas por todos. Havia também cópias piratas de programas ou transcrições de versões escritas que chegavam por vias as mais diferentes. Tudo era permitido causa das barreiras para importação.

As condições eram precárias por falta de programas e até de máquinas. Ambos eram caros e raros. Não são incomuns casos de programas presos em alfândega e até de pessoas detidas para interrogatório em fronteiras por portarem equipamentos eletrônicos. Rodrigo Arraes -quem diria! foi detido na fronteira do Paraguai para explicar a presença do aparelho de informática que ele tinha comprado. Nesses casos, os amigos eram acionados. Socorro, que tempos difíceis.

Vega 6 versão 7.0
Mas, antes de tudo houve as calculadoras. Primeiramente, as calculadoras bem simples, com memória restrita o que além de impedir um uso mais amplo também não apresentava exatidão em cálculos mais sofisticados. Junto à utilização do coeficiente de 24 horas repetido, elas facilitavam os cálculos dos planetas. Antonio Facciollo já lidava com elas nos anos de 1973/74. Ele foi ponto de encontro entre alunos e amigos desde essas primeiras calculadoras. Pode-se dizer, sem medo de engano, que por sua influência surgiram os dois programas brasileiros mais vendidos hoje em dia, o Vega de Amauri Magnana e o Pegasus, de Paulo de Tarso Ferreira, ambos seus alunos.

Por volta dos anos 81 e 82, Raul Varela, foi outra figura centralizadora entre astrólogos na busca de tecnologia. Ele conseguiu um programa em sua versão escrita que foi transcrito por Rodrigo Arraes para a Casio e Sony e também para HP41C. Essas versões chegaram a ser repassadas a preços que chegavam a cem dólares cada uma. Tais máquinas foram possivelmente usadas por muitos astrólogos. A linguagem BASIC e DOS podem não fazer nenhum sentido para os astrólogos de hoje em dia, embora tenham sido referência naquela época.

Outra personagem importante foi o professor Zeferino Costa, engenheiro de formação, que trouxe ao Brasil o primeiro personal computer portátil nos moldes da Casio PB 1000, com programação específica para cálculos astrológicos. Comprado nos EUA, a liberação dos documentos demorou. Foram alguns meses até que a máquina pudesse ser retirada da alfândega. Foi um fato muito comemorado por ser inédito e por ter chegado de forma tão excepcional. Um sucesso! Sem exagero, essa máquina tornou o professor Zeferino um astrólogo “pop” da época, tendo sido ele também figura agregadora de astrólogos interessados na tecnologia. (*). Até então, os profissionais não tinham computador em casa porque isso estava fora do alcance financeiro da maioria dos astrólogos. A solução era procurar ajuda em escolas ou amigos para os cálculos. Os desenhos gráficos vieram um pouco depois. 

Orion - C
Em 1984, Miguel Etchepare desenvolve um software a partir de rotina da calculadora da Casio. O software Orion-C em uma versão aprimorada com a possibilidade de desenho do mapa, o que foi divulgado em São Paulo por Valdenir Benedetti em um congresso em setembro de 1985. Grande conquista, foi o primeiro desenho gráfico em papel. Miguel Etchepare elaborou também uma agenda, que recentemente voltou a ser comercializada, possibilitando à pessoa seguir durante um ano todo os trânsitos e progressões no seu próprio mapa de nascimento. 

Por essa época, o serviço de desenho dos mapas também foi efetuado pela Escola Astrocenter, que adquiriu um plotter HP(normalmente utilizado em engenharia). Carlos Alberto Botton desenvolveu um software para desenhar o mapa em cores como se fosse feito à mão. Ele também elaborou as Tábuas de Casas para o Hemisfério Sul, produzidas pelo sistema de computadores que a escola possuía e publicado pela Editora Pensamento (1985). Por sua formação ligada à tecnologia, Botton desenvolveu paralelamente à Astrocenter, a empresa de tecnologia Astrocomp, uma prestadora de serviços, que contava com um sistema de dados e que tinha por objetivo a assessoria nos cálculos para o profissional e relatórios para o público em geral. Além disso, atendia as áreas da bolsa de valores e de seleção de pessoal.

Os irmãos Rodolfo e Alexandre Fücher começaram praticamente juntos na programação. Rodolfo Fücher colaborou com o carioca Danton de Souza produzindo programas para os cartões magnéticos da TI-59, especialmente para as direções primárias. Alexandre continuou essa atividade criando e adaptando programas para o trabalho do professor Waldyr Bonadei Fücher, responsável pela escola Regulus que também prestava serviços de impressão de cálculos para astrólogos. Nessa época foi criada a empresa Regulus Informática Com.Imp. e Exp. para comercializar programas e calculadoras.

Roberto Antonio Leonardi adquire perto de 1981 um computador Apple II e se interessa por tecnologia. Pesquisador, estudioso de livros importados e da linguagem Basic , em 1983 tinha desenvolvido programas para retificação de mapas e outros, como os pontos médios e direções. 

Também José Maldonado Gualda, físico de formação, adaptava as rotinas que circulavam na época para cálculos e montava máquinas. Sua estada na França entre 1975 e janeiro de 1980, possibilitou-lhe o contato com as novidades de tecnologia, podendo ser testemunha de nossas dificuldades nessa área. Mas, o mais importante de sua experiência na área foi a proximidade com Raul Varela com quem trocou inúmeras informações, assim como com Darci Lopes, Milton Maciel e Sérgio Mortari. 

Nesse movimento de produção houve quem não tinha intenção de comercializar como por exemplo Adônis Saliba que desde o início de sua atuação com a astrologia desenvolveu programas para mapas natais, dieta astrológica, pesquisas estatísticas de comportamento psicológico e até para avaliação do movimento de bolsas de valores.

Por outro lado, outros astrólogos, como José Maldonado Gualda e Roberto Antonio Leonardi, produziram de acordo com a demanda de amigos o que acabou por servir de estímulo a sua produção. Foram seus clientes entre outros: Valdenir Benedetti, Zeferino Costa, Antônio Carlos Bola Harres, Marylou Simonsen, Beto Botton, Carlos Fini , Hanna Opitz e até astrólogos da escola Astrociência do Rio de Janeiro. 

O PC, UMA NOVA ERA 

Pegasus 1º Folheto
O mercado pouco a pouco começou a ser qualificado para cumprir as exigências dos profissionais. A produção nessa área cresceu e a comercialização dos produtos expandiu. Enquanto isso, microcomputadores pessoais como o TK2000 com 64K de memória foram popularizados comercialmente. Nova época, época de ouro.

Carlos Fini apresenta os programadores Paulo de Tarso e Amauri Magnana à Escola Regulus, que se tornou ponto de representação dos programas VEGA e PEGASUS desenvolvidos por eles e que começaram a ser comercializados e são atualizados até hoje em dia. Também eram representantes do programa Astroword alemão e dos brasileiros CANOPUS (criado por Floriano Caldeira Possamai e idealizado por Antonio Carlos Harres Bola) e ASTROLOGIA HINDU de Nair Kesavan. Nessa época, José Maldonado era o representante da MATRIX que produzia o programa BLUE STAR. 

Redes de contatos propiciaram relacionamentos e trocas. E talvez os relatos ouvidos são apenas alguns dessa fase de desenvolvimento da tecnologia tão importante na profissionalização dos astrólogos. 

Além da facilitação da prática profissional, o que mais aconteceu desde então? A profissão de astrólogo ganhou um lugar diferenciado perante o público? Talvez sim. Ou não? 

 800pc TI 59 e PC 100A
Já houve o questionamento se essa utilização de tecnologia não seria um erro por parte do profissional, visto que eliminaria certa aura de mistério ao exercício do astrólogo. Tal ideia pode parecer estranha, mas chegou a ser uma questão entre profissionais e público. Hoje em dia, não se imagina a prática do astrólogo sem contar com a ajuda inestimável da tecnologia. Mas, por incrível que pareça, essa passagem de um estágio a outro não foi sem alguns percalços. 


O clima desses pouco mais de vinte anos (1970-1995) trouxe um novo mundo de possibilidades. A tecnologia entrava em nossas vidas em uma transformação rápida e intensa, desde as primeiras calculadoras até os softwares mais avançados de hoje em dia. Pudemos observar que a necessidade de tecnologia foi estímulo e impulso de relacionamentos e produção de conhecimento. 

 A informação de que o programa Blue Star, do sistema operacional DOS, tinha ganhado uma nova versão para Windows, o, Win*Star pode parecer atualmente pré história. 

Antiga Calculadora hp Hewllet Packard 41
Nossa estranheza pode ainda aumentar se pensarmos que as calculadoras iniciais apresentavam as efemérides que podiam variar apenas de 600 a 700 anos, apresentando ainda variações nos cálculos mais sofisticados pela pequena memória. Hoje em dia com o aprimoramento das memórias, a precisão é grande e as efemérides alcançam 30.000 anos. 

Outro mundo, não é verdade? E conhecendo essa história, entendemos também os motivos pelos quais cada um de seus passos representou uma pequena revolução. 

Temos, pois, muito a agradecer a todos que participaram dela e muito a comemorar hoje em dia.  

(*) Esse computador foi apresentado em um evento organizado pela Gaia Escola de Astrologia, a Astrológica em 1999.