quinta-feira, 26 de março de 2020

INSTITUTO PAULISTA DE ASTROLOGIA: ASTROLOGIA CIENTÍFICA, PROFISSIONALIZAÇÃO E VISÃO FUTURISTA

*Clarissa De Franco

“Sendo o trabalho do Astrólogo equivalente a um sacerdócio,
deverá ter preparação científica, maturidade psicológica e a 
máxima disciplina intelectual e moral, do contrário não terá 
condições de orientar seus semelhantes.”
Código de Ética Profissional de Astrólogxs, 
Seção I, artigo IV, publicado na página online 
da Associação Brasileira de Astrologia.



Foto cedida por Graziella Marraccini
A frase escolhida para abrir este texto carrega a alma do Instituto Paulista de Astrologia. Sob a inspiração de um grande trígono de Ar em seu mapa de nascimento (27/01/1969) entre Sol e Mercúrio em Aquário, Lua nos primeiros graus de Gêmeos, Júpiter e Urano em Libra –, o Instituto Paulista de Astrologia carrega uma tônica benéfica do elemento ar, e traduziu tal característica em uma trajetória longa de produções, estudos e articulações, com forte objetivo de tornar a Astrologia um campo reconhecido como científico, sério e profissional, junto a uma proteção legal que Júpiter em Libra teria trazido para a escola por todos esses anos.

Inicio esse trabalho agradecendo imensamente a contribuição de colegas na reconstrução do legado do Instituto Paulista de Astrologia, em especial a Antonio Facciollo Neto, Cinira Palotta e Graziella Marraccini, que cederam seus tempos, materiais, salivas e memórias para compor esse trabalho. A experiência de conhecer um pouco mais sobre a história do Instituto Paulista e de figuras de profundo impacto na história da Astrologia no Brasil foi muito rica para alguém como eu, que vivi várias facilidades geracionais que interferiram em minha atuação profissional, como a internet e os softwares de Astrologia, e assim ocorre com muitxs astrólogxs na atualidade, que estão distantes da dimensão “heroica” de desenhar um mapa astrológico manualmente ou da dificuldade gigantesca em espalhar conhecimento para pessoas de vários estados e países sem a internet. Agradeço também, à mentora desse projeto, Ana Maria Mendez González, quem me ofereceu a oportunidade de produzir sobre o tema, já que este estudo faz parte da pesquisa sobre História da Astrologia em São Paulo, coordenada por Ana.

O Instituto Paulista de Astrologia foi pioneiro em uma série de atuações no campo astrológico brasileiro. Fundada em 27 de janeiro de 1969 em uma parceria entre Antonio Facciollo Netto e Ivan Moraes e Silva, a escola, além de ter sido a primeira regular e com caráter oficial no país, também deu origem à fundação, em 12 de outubro de 1971, da APA – Associação Paulista de Astrologia, que depois expandiu-se formando a ABA (Associação Brasileira de Astrologia) em 15 de junho de 1977, a primeira associação de astrólogos do Brasil. Além disso, o primeiro Sindicato da categoria no país, SAESP (Sindicato dos Astrólogos do Estado de São Paulo), criado em 09 de dezembro de 1988, também esteve ligado às lideranças do Instituto. 

O pioneirismo não para nesses marcos históricos. Surpreendi-me com os cursos por correspondência em décadas em que a internet ainda não existia: 1970, 1980 e início dos anos 1990. O Instituto Paulista de Astrologia enviava o material de formação pelos correios, propiciando formação de Astrologia por todo o país. Desde aí, nota-se uma caminhada aquariana-jupiteriana, que alia uma visão global, ampla e esperançosa, antecipando passos futuros numa busca de formação de redes e consolidação da área astrológica como um campo profissional sério e que merece reconhecimento. 

Há informações disponíveis online sobre o Instituto (IPA), a Associação (ABA) e o Sindicato (SAESP), que podem ser acessadas por meio das páginas: http://www.astrologiaipa.com.br/ , http://www.astrologia.org.br/Sobre-a-ABA/Historia.

Antonio Facciollo Neto e a Astrologia científica

Imagem cedida por
Antonio Facciollo Neto
A história do Instituto Paulista de Astrologia mescla-se com a história de um de seus fundadores, Antonio Facciollo Neto, que até hoje carrega com orgulho seu legado e afirma em depoimento: “fiz tudo para cumprir uma missão”. A partir de 1973, sua esposa Vera Facciollo tornou-se sócia e também professora da escola. A marca do Instituto é o estudo e a prática da “Astrologia científica”. Segundo Facciollo, a Astrologia científica é baseada em ações e conhecimentos, como “estatística, ciclos de recorrência, observações sistemáticas”. “Precisamos dar seriedade à área”, ele diz. “Temos que provar que os fatos se repetem quando existem tendências astrológicas”. 

Cinira Palotto, atual professora do Instituto, lembra que a “Astrologia científica” veio da França, no século XIX, a partir de pesquisas estatísticas usadas para verificar premissas da Astrologia clássica. Alguns nomes ligados a essa corrente de estudos e pesquisas são Léon Lasson e Paul Choisnard, além do conhecido casal Michel Gauquelin e Françoise Gauquelin, que embora tenham desenvolvido pesquisas inicialmente com o intuito de provar que a Astrologia não tem bases científicas, encontraram alguns resultados que acabaram por confirmar algumas premissas astrológicas, como a maior probabilidade de pessoas com Marte em casa angulares atuarem como esportistas ou militares. Tal estudo ficou conhecido como Efeito Marte. Sua pesquisa, no entanto, foi mais abrangente, e também encontrou resultados estatisticamente significativos que envolviam os planetas Júpiter e Saturno em casas angulares, respectivamente associados no estudo a temperamento expansivo e confiante, típico de políticos e atores, e postura detalhista, reflexiva e analítica, associada a cientistas, filósofos e pensadores.

Graziella Marraccini, que foi uma das alunas do IPA, assim define o tipo de estudo desenvolvido no Instituto Paulista: “é uma astrologia mais racional e menos mística”. Ainda segunda Graziella, nos cursos de Astrologia em geral falta Mecânica Celeste, Astronomia, matérias que ela estudou no Instituto e considera bases fundamentais para a formação na área. Nesse sentido, elogia o Instituto Paulista de Astrologia, como uma escola que promove estrutura e bases sólidas de conhecimento.

Antonio Facciollo Neto,
foto cedida por ele
Facciollo afirmou: “trabalhamos muito para provar que a Astrologia é uma ciência”. E aponta que a internet pode trazer alguns problemas em relação a uma formação de qualidade. Ele diz: “Tem gente esquisotérica que desvia o verdadeiro interessado. Nós, astrólogos sérios, não temos como evitar isso. Mas é como se fosse uma iniciação também o uso da internet. Quem está no caminho certo encontra a saída, mas quem está começando, pode se perder”. 

Mesmo afirmando categoricamente que a Astrologia é uma ciência “que foi perseguida”, na visão de Facciollo, a perspectiva científica da Astrologia não elimina o valor da perspectiva mitológica. “A mitologia dá informações simbólicas que estão em sintonia com o conhecimento atual. Os seres que deixaram a mitologia sabiam do que estavam falando. Falaram de uma maneira cifrada para atingir a multidão, de uma forma novelesca. Mas tem que conhecer tradição chinesa, hindu e muitas tradições além da grega”, ele finaliza a questão, chamando atenção para sempre buscar se aprofundar nos conhecimentos. Já em relação às religiões, Facciollo é mais categórico e ácido: “religião deforma informações. A Bíblia é uma colcha de retalhos muito ruim. Deus não está preocupado com pecados que você comete. Isso a lei de causa e efeito corrige”.


Profissionalização da Astrologia

Além de colocar a Astrologia como um campo sério, científico e passível de verificação, uma das preocupações do Instituto Paulista de Astrologia tem sido a profissionalização da área. A criação da Associação Brasileira de Astrologia e do Sindicato de Astrólogos do Estado de São Paulo relaciona-se diretamente com esse foco. A ABA estabelece critérios para filiação de astrólogos, professores de Astrologia e Cosmoanálise e também para a filiação de escolas de Astrologia. Tais critérios estão descritos na página web e envolvem um esforço público em estabelecer parâmetros para a atuação profissional. Há propostas para currículos e cargas horárias de cursos nos níveis básico, médio e superior, indicação de referências bibliográficas da área, provas de proficiência em Astrologia, publicação do código de ética profissional, entre outras medidas, fundamentais para a consolidação de parâmetros para a atuação astrológica.  

A Associação Brasileira de Astrologia tem orgulho de ter se estabelecido como uma referência na área, e anuncia em sua página: 

“A ABA conquistou o respeito e a confiança não só dos associados como do público em geral, pela seriedade de seu projeto e pelo rigor das exigências para admitir seus filiados. Tornou-se uma verdadeira auto-regulamentação da profissão de astrólogo, e hoje atua como um autêntico “selo ISO-9000”, tanto para profissionais como para escolas de Astrologia. Aqueles que procuram por um profissional competente e ético, costumam perguntar se é filiado à ABA; os que estão à procura de um bom curso de Astrologia perguntam se a escola é reconhecida por ela, no afã de saber se seu aprendizado será idôneo e se seu futuro Diploma de astrólogo virá a ter real valor”.

Nos anos de 1976 e 1977, a diretoria da ABA trabalhou para incluir a profissão de astrólogo no Código Brasileiro de Ocupações, CBO, ligado ao Ministério do Trabalho na época. A Portaria 3654, de 24 de novembro de 1977 colocou oficialmente a Astrologia como profissão reconhecida entre as atuações científicas, técnicas e artísticas, sob o código 1-99. Esse reconhecimento foi fundamental para que profissionais da área passassem a poder declarar Imposto de Renda, e ter direito a benefícios como aposentadoria e INSS.

Em relação às várias tentativas junto ao Congresso Nacional de regulamentação da profissão, Facciollo afirmou, em tom de decepção: “fomos vítimas dos governos desse país atabalhoado. Os governos não cumpriram o que prometeram. Somente a auto-regulação é o que funcionou”.

Facciollo também fez uma crítica à atual participação da categoria nos Sindicatos de Astrologia no país, comparando com a experiência de algumas décadas atrás, quando o SAESP nasceu: “hoje, associações e sindicatos estão às moscas. Tem menos solidariedade. Ficou limitado. As pessoas estão distantes de contribuir com qualquer causa coletiva”.

O Instituto Paulista de Astrologia e outros canais

Vera Facciollo na contracapa do seu livro
Arcanos e Mitos Herméticos. Imagem
cedida por Facciollo.
A busca por reconhecimento para a Astrologia pelo Instituto não envolveu somente a profissionalização. O Instituto Paulista também levou essa luta para os meios de comunicação populares, como jornais, revistas e em vários programas de televisão, de emissoras como a TV Globo, TV Manchete, TV Cultura, TV Capital de Brasília, TV Tupi. Durante 13 anos, Antonio Facciollo participou do Programa da TV Bandeirantes chamado Xênia e Você, no qual ele, ao lado de sua mulher Vera e colegas astrólogos, construíram um legado de pesquisas astrológicas e previsões que levavam ao público. Ele afirma: “com pesquisas, íamos mudando a visão das pessoas sobre a Astrologia. Registrávamos em cartório nossas previsões para ninguém poder falar nada depois. Acertamos os atentados do Reagen, do Papa, a guerra do Afeganistão...”

A repercussão desses programas certamente não foi pequena. Cinira Palotta, ao contar sobre sua conexão com o Instituto Paulista de Astrologia, disse que admirava desde adolescente as aparições de Facciollo no programa da Xênia e que foi inspirada nesse contexto a se formar e se profissionalizar. Cinira já tinha inspiração de sua avó de mesmo nome (Cinira Palotta) que também foi estudiosa autodidata de Astrologia, tendo participado do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento por alguns meses na década de 1930. Apesar dessa influência familiar, segundo Cinira, o Instituto foi fundamental em sua carreira.

Embora o Instituto Paulista de Astrologia não seja diretamente vinculado à Maçonaria, Antonio Facciollo resgata em seu discurso a importância dos maçons para a Astrologia. Seu pai Mariano Facciollo era maçon e astrólogo e dele herdou essa pertença. “Eles (judeus) sempre deram espaço para dar credibilidade à Astrologia. A Maçonaria é um ponto de apoio, porque traz liberdade de pensamento”. Na página http://www.astrologia.org.br/Sobre-a-ABA/Astrologia-no-Brasil, há uma referência ao papel das Lojas Maçônicas na história da Astrologia: “Muitas sementes de Astrologia foram plantadas no Brasil pelas Lojas Maçônicas, que, desde a vinda da corte para o país, e através de Maçons que viajavam para a França e Inglaterra, se dedicavam a pesquisar a matéria -- parte integrante de seu simbolismo filosófico. A Instituição Maçônica, na sua versão especulativa-filosófica, se originou dos Rosacruzes Ingleses do século XVII, entre eles muitos astrólogos como Robert Fludd, William Lilly, Elias Ashmolle e outros”.

Muitos nomes da Astrologia passaram pela Formação no IPA, tais como: Paulo de Tarso, Rosa de Cunha, Antoine Daoud Filo, Rosa Lodi Barcelos, Antonio Carlos Fini, Amauri Magagna, Marisilda Magagna, Waldir Bonadei Fücher, Wilma Bonadei Fücher, Hélio Amorim, Nazareno Micheletti, Chafy Miguel Bittar, Joana Zito Losada, Maria José Faria de Paula, Francisco Arthur Canel, Antonio Federighi, Gersio Passadore, Juan Alfred Cesar Müller, Graziella Marraccini, Cinira Palotta, entre muitos outros.

Graziella Marraccini destacou em seu depoimento alguns marcos que a ligaram ao desenvolvimento do Instituto, entre eles, a criação do primeiro Software Pegasus por Paulo de Tarso. No Instituto Paulista de Astrologia, ela aprendeu a desenhar os mapas manualmente, mas viveu esse momento de transição, em que a tecnologia foi modificando a atuação profissional dos astrólogos.

Os eventos também foram um ponto de sucesso na trajetória do Instituto. Simpósios, Congressos, Colóquios de Astrologia foram organizados pelas lideranças da escola. Facciollo conta que “lotavam o Teatro Hilton”. O primeiro Colóquio Brasileiro de Astrologia foi realizado pela ABA nos dias 14, 15 e 16 de abril de 1978. Desde então, A ABA vem realizando eventos anuais, que normalmente ocorrem nos hotéis: Hilton, Maksoud Plaza e Nikkey Palace em São Paulo. 

Hoje, o Instituto Paulista de Astrologia promove celebrações que envolvem as datas de início dos Equinócios e Solstícios, o Ano Novo Astrológico, além de reuniões ligadas às lunações, além de muitas outras atividades que atuam para manter viva a perspectiva da Astrologia científica. Cinira, que atualmente compõe o quadro de professores, contou que está desenvolvendo uma pesquisa sobre um tema há anos e ainda não sente que seus dados estejam prontos, demonstrando ter aprendido a importante lição que o Instituto deixa de zelar pelos detalhes e pela seriedade do trabalho.

Também merecem destaque na história do Instituto, a diretora, professora e sócia Vera Facciollo, que desde 1972 vem organizando vários Congressos de Astrologia e Ciências Herméticas e atuando na direção da ABA e do SAESP, além de ser autora do livro Arcanos e Mitos Herméticos, e o professor Renan Leme que é também autor do novo Programa online de Astrologia voltado a pesquisas astrológicas pela ABA e IPA.

Sobre a herança que o Instituto Paulista de Astrologia deixa, Facciollo é tranquilo em reconhecer que cumpriu uma missão de comprovar a seriedade e a cientificidade da Astrologia. “Nunca perseguimos ninguém e buscamos ajudar a todos, mas tem gente que fica com raiva quando a gente mostra o certo”. 

Imagem do Livro de Vera Facciollo,
cedida por Antonio Facciollo Neto.
A importância do Instituto Paulista de Astrologia na história da Astrologia do Brasil é inegável, imensa, já que da escola se derivaram outros espaços que contribuíram para o exercício profissional de astrólogos, espaços que propiciaram uma estrutura e uma legitimidade para área. Quanto maior o reconhecimento público oficial da atuação astrológica, menos explicações, nós, astrólogos, teremos que dar diante de outros campos do saber, como a ciência, já que esse trabalho do IPA envolve a construção de um repertório que justifica em si mesmas as práticas e o campo conceitual da área astrológica, consolidando saber e atuação. Eis o rico legado do Instituto Paulista de Astrologia: legitimidade para a Astrologia, diante de si mesma e de seus pares, diante do público, diante de outros campos do saber, diante da história do conhecimento. 


Esse estudo faz parte da Pesquisa História da Astrologia em São Paulo, coordenada por Ana Maria Mendez Gonzalez. Material disponível em http://historiastrologsp.blogspot.com/


*Clarissa De Franco é psicóloga, astróloga formada pela Escola Gaia, taróloga, psicóloga arquetípica e analista de sonhos, doutora em Ciência das Religiões, com Pós-Doutorado em Estudos de Gênero.  Trabalha no campo de Direitos Humanos na Universidade federal do ABC. Como terapeuta e pesquisadora, trabalha na interface entre saberes tradicionais e científicos, articulando conhecimentos entre gênero, religião, psicologia, astrologia, mitos e tarô. É especialista do Personare. 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS,UMA ESCOLA INSPIRADA

Ana Maria Mendez González


A coragem para o ensino da Astrologia lhe veio quando Inês de Paula percebeu como a experiência do conhecimento da Astrologia ajudava as pessoas, a partir das leituras de mapa natal.  


O INSTITUTO INÊS DE PAULA

Palestra de Inês de Paula em 2000 
Aprendi com a mestra a ajudar indivíduos a se conhecerem se estiverem abertos. Com base em seus mapas, tomam decisões, corrigem rumos e procuram ser felizes. O autoconhecimento é inevitável. Com certeza foi esse o grande legado da Inês pra mim. Gratidão sempre.” Gilmara Oliveira (aluna)

Inês de Paula começou seus estudos de Astrologia na Escola Regulus em São Paulo com Waldir Fücher e no Instituto Paulista de Astrologia (IPA) com Antônio Facciollo.

Palestra em 1993 
Nessas duas escolas, entre as quais percebia semelhanças, fez a maior parte de sua formação. Também seguiu apostilas de Paulo Roberto Rodrigues e participou de algumas atividades na GEA, Grupo de Estudos de Astrologia de Elizabeth Friedrich. Com preocupação profissional, fez exame na ABA para se filiar ao sindicato. Foi Delegada Regional e representante em São José dos Campos, tendo sido responsável pela filiação de muitos de seus alunos. 

A professora iniciou suas aulas de Astrologia para alunos de maneira informal em 1993 até que montou sua escola. O Instituto Inês de Paula, que, no primeiro ano de funcionamento recebeu o nome Instituto Aquarius, funcionou na cidade de São José dos Campos de 2001 a 2010.

Grupo de alunos
A motivação para a escola veio dos conhecimentos astrológicos adquiridos no trabalho das consultas que foi se comprovando eficiente. O ensino multiplicaria o que foi percebido nas leituras de mapas. Essa foi a inspiração para a abertura da escola.

As salas eram pequenas, mas sempre contou com entusiasmo entre professores e alunos talvez explicável pelo inusitado de uma escola na cidade. A escola chegou a ter perto de 200 alunos.

O programa de ensino apresentava vários níveis de astrologia, da Introdução ao nível três de Previsões.

Apoio da mídia da região

Paralelamente às disciplinas de Astrologia, o espaço também oferecia aulas de Feng Shui e Numerologia com profissionais desses outros oráculos. Havia uma loja esotérica para produtos ligados a todas essas áreas. Ana Mortari colaborou dando palestras na área de Grafologia.

 As funções administrativas foram cumpridas por pessoas de família que completaram assim o quadro para o funcionamento burocrático da escola. Questão que nem sempre é fácil. O instituto mudou de endereço por questões imobiliárias. Segundo Inês de Paula, essa foi uma das dificuldades, das muitas com que se depara quem pretende manter uma escola: funcionários, contador, outros aspectos e despesas necessárias. Ela pondera que para o bom funcionamento de uma escola, além de conhecimentos astrológicos é necessária a capacidade administrativa.

Novidades são bem-vindas em São José dos Campos
O Jornal O VALE (antigo O VALEPARAIBANO) deu grande apoio ao empreendimento pioneiro na cidade de São José dos Campos e colaborou divulgando a escola em muitas reportagens.

Outro importante apoio veio da TV Vanguarda, filiada à Rede Globo que convidou inúmeras vezes Inês de Paula para participar de sua programação.


Inês de Paula e sua escola 
Inês prestou uma espécie de consultoria astrológica nesse canal de TV de 1990 até aproximadamente 2012. Havia interesse nas atividades do Instituto e em assuntos relacionados à Astrologia como previsões ou em época de eclipses, Copa do Mundo, eventos da política. Eram entrevistas esporádicas e que colaboraram na divulgação da Astrologia e do Instituto pela região do Vale do Paraíba. 

A escola foi fechada em 2010, mas permanece na memória como experiência positiva por tudo o que foi realizado. E a Astrologia continua sendo a atividade profissional de Inês de Paula até hoje nas variadas formas permitidas pelos atendimentos ao vivo e digitais.  

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

ESCOLA JÚPITER DE ASTROLOGIA, SEMENTE E CELEIRO


Ana Maria Mendez González

Antonio Carlos Bola Harres diz em seu texto acerca da História da Astrologia Brasileira : “A Escola Júpiter acaba incentivando o surgimento de outras escolas: a de Cláudia Lisboa no Rio de Janeiro, de Maurice Jacoel-a Girassol- e a GEA-  Grupo de Estudos de Astrologia de Elizabeth Friederich.” (*)



Essa frase me deu um sinal que eu procurava para estabelecer uma relação entre escolas. O que teria realizado a Escola Júpiter para ser reconhecida como semente para o aparecimento de outras?


AULAS, PUBLICAÇÕES, EVENTOS


O terrestre, o habitual podes olhar
unindo o imediato ao imediato:
nisso se resume teu poder.
Mas tudo que latente e oculto age
No seio da natureza mais profunda;
A escada de espíritos que sobe
Desde o mundo poeirento até as estrelas
Onde atuam poderes celestiais,
Isso só quem vê é o olho claro
Dos filhos de júpiter, despertos.
Schiller
(versos citados em folheto de divulgação da escola)



Aula inaugural, 1979: Uma nova maneira de ensinar Astrologia
A Escola Júpiter foi fundada por Antonio Carlos Bola Harres, Mary Lou Simonsen e Olavo de Carvalho, tendo desenvolvido atividades entre 1979 e 1981, tempo curto de intensa atividade.

Além dos cursos (enumerados em folheto de divulgação) e atendimento de leitura de mapas, a escola realizou publicação de revistas, de livros e organizou três eventos no Augusta Boulevard Hotel em São Paulo.

O Primeiro Seminário de Astrologia, cujo tema era “A Astrologia na Era de Aquário” em 17 de fevereiro de 1979, contou com os palestrantes: Juan Alfredo César Müller, Antonio Carlos Harres, Olavo de Carvalho , Antonio Facciolo Neto e Emma Costet de Mascheville.
Cursos programados e a inspiração de Schiller

O Segundo Seminário de Astrologia aconteceu em setembro de 1979  e o terceiro, em 2 e 3 de fevereiro de 1980. Neste último o evento teve como palestrante estrangeiro convidado Boris Cristoff, nascido búlgaro e radicado no Uruguai.

Alguns astrólogos repetiram sua presença nos dois últimos eventos: Maria Eugênia, Emma Costet de Mascheville, Olavo de Carvalho, Antonio Carlos Harres.

Outros palestrantes estiveram em um ou outro encontro: Fiore Feola Filho, Elizabeth Friedrich, Juan Alfredo César Müller, Rodrigo Araês de Caldas Farias, Ignácio da Silva Telles, Marina Ungaretti, Gerson Corrêa, Gladys Zrncevich, Roberto Aguillar, Maria Glória Arieira, Roberto Denelli, Gary Dale Richman.

Propósito da Revista Júpiter

Um desses eventos apresentou um painel com o tema “Astrologia e comunicação social” de que participaram: Alcides Lemos, Luís Pellegrini, Waldir Zwetsch, Ana Maria Bahiana, José Emílio Rondeau, José Eduardo Borgonovi e Silva, Marco Antonio Lacerda e Fernando Portela.





DEPARTAMENTO DE PUBLICAÇÕES

Capa de uma das três revistas   
A escola desenvolveu um departamento de publicações de acordo com citação em um dos volumes da JÚPITER, REVISTA DE ASTROLOGIA. Dessa revista, segundo informações, houve três números. O índice de uma delas (a número 00) traz matérias escritas por Olavo de carvalho, por Antônio Carlos Harres, Juan Alfredo Cesar Muller, Emma Costet de Masheville. A filosofia estava presente em alguns de seus conteúdos sob autoria de Juan Alfredo César Müller e de Olavo de Carvalho.

Havia também o CADERNO DE ASTROLOGIA, que teria a intenção, expressa em uma cópia de setembro de 1980, ANO I, Número 2, de “publicar trabalhos e pesquisa astrológica realizados pelos professore e alunos.


Caderno de Astrologia com pesquisas de professores e alunos

O ousado projeto de editoração incluía a publicação de um livro de Müller (publicado em 1967; editora Cupolo/SP) em seis fascículos, que por sua vez, viriam dentro da revista e que seriam descartáveis: ALQUIMIA MODERNA (TRANSPSICOLOGIA). A capa plastificada com ilustração medieval seria comprada pela pessoa interessada e enviada por correio. Outros tempos!

Livro de Emma de Mascheville, lançado na Escola Júpiter 
Em 1980, a Escola Júpiter publicou o livro “ELEMENTOS BÁSICOS DE ASTROLOGIA”, de autoria de Emma de Mascheville, que vinha com frequência a São Paulo para dar cursos. Segundo Elizabeth Friederich, fundadora da escola Gea e que esteve na Escola Júpiter alguns meses como recepcionista e sublocando sala para atendimentos, D. Emma era uma pessoa que desenvolvia com simplicidade conceitos profundos, mesmo em sua comunicação mais cotidiana. 

Os ideais da escola estão descritos na primeira Revista de Astrologia (Ano I, nº 0, junho 1979). O último parágrafo da apresentação diz : ”O propósito da Escola Júpiter é contribuir para que a imensa riqueza representada por milênios de investigação e arte astrológica possa chegar até os estudiosos brasileiros e fecundar com novas sugestões, como novos enfoques e uma nova linguagem a criação permanente da cultura nacional. De uma cultura que, tendo superado todo provincianismo e toda inibição intelectual, se abra, frondosa e viva, para o desafio de pensar o homem em escala cósmica”.

Tais palavras de Olavo de Carvalho pontuam o alto teor das intenções dessa escola bem representados metaforicamente na imagem escolhida para seu logo. Trata-se de uma releitura da imagem do Homem Vitruviano, desenhado por alguns estudiosos entre os quais Leonardo da Vinci. O Homem de Vitrúvio, arquiteto romano, é um conceito que estabelece um cânone de proporções para o corpo humano. Na verdade, um ideal clássico de beleza. E pode ser também um símbolo de simetria do corpo humano e do universo. Os responsáveis pela escola Júpiter associavam a Astrologia com esse ideal de beleza e harmonia.


A ESCOLA JÚPITER NA MÍDIA

Publicação de Alquimia Moderna em fascículos
Algumas publicações na mídia de épocas diferentes podem nos dar uma ideia mais clara a respeito dos importantes efeitos da escola. 

A REVISTA VEJA de 09 de abril de 1980, no artigo “ALTO ASTRAL, já se faz horóscopo até por computador”, apresenta uma descrição da escola e da publicidade que a Astrologia ganha naquela época, pela presença da computação na Europa e que chega até o Brasil. A reportagem destaca que em um ano de funcionamento a Escola Júpiter dobrou o número de alunos de 70 para 140.  

Escola Júpiter na revista Veja.  Novidades divulgadas  

Empresário de óperas Marco Vigiani traz da França, de André Barbault, o Astroflash, programa que faz mapa em 45 segundos. Segundo o texto da revista, “O Astroflash é encarado pelos astrólogos apenas como uma brincadeira, embora feita com mais seriedade do que as previsões que se encontram nos jornais.” Por essa última afirmação podemos entender que a grande revolução provocada pela computação ainda não tinha sido completamente percebida pelos astrólogos brasileiros.

A matéria da Veja continua dizendo que a Escola Júpiter estaria mais preocupada em autoconhecimento do que em previsões. A matéria cita um médico homeopata, um administrador de empresas, um engenheiro e uma psicóloga que fazem uso de dados fornecidos pela astrologia para suas atividades. Ou seja, a imagem da astrologia estava em grande forma.

Mais uma Revista Júpiter, artigos excelentes
Mais recentemente, na REVISTA PIAUÍ (Maio de 2018), e de uma forma mais pessoal, a entrevista com a astróloga Bárbara Abramo apresenta o seguinte depoimento acerca do começo de sua carreira estudando na Escola Júpiter: “Foi durante a primeira gravidez que caiu em suas mãos um livro sobre astrologia. Fascinada, matriculou-se num curso sobre o tema na extinta Escola Júpiter, fundada por ninguém menos que o filósofo Olavo de Carvalho, hoje uma referência da direita brasileira”. A astróloga continua: “Na época ele era filiado ao Partido Comunista”. E completa: “Dizia para lermos Aristóteles e tinha uma visão mais filosófica da astrologia. Aprendi muito com ele.”  (https://piaui.folha.uol.com.br/materia/escrito-nas-estrelas/ )



Filosofia e reflexão na revista 
Independentemente das polêmicas e controversas ideias do filósofo Olavo de Carvalho de hoje em dia, o que nos interessa é sua atividade como astrólogo naqueles anos iniciais de década de 80. A perspectiva é histórica e sob esse aspecto deve ser entendida a presença do filósofo nessa escola de Astrologia. Inegavelmente, ele teve participação ativa na escola e colaborou produzindo textos reflexivos que aparecem nas revistas e na organização do departamento de publicações da escola. 

Outra grande astróloga, Cláudia Lisboa. começou sua carreira na escola quando morou uma breve temporada na capital paulista. Teve assim oportunidade de iniciar suas atividades profissionais fazendo cálculos matemáticos, desafiada pelo amigo Harres a entrar em sala de aula. A astróloga em ENTREVISTA para esta pesquisa (http://historiastrologsp.blogspot.com/2018/09/as-escolas-sao-local-de-aprendizagem-e.html) nos contou detalhes acerca desse começo de sua carreira na Escola Júpiter. Mais um depoimento que comprova o caráter de celeiro que a escola teve.

Logo, metáfora e inspiração 
Como se pode verificar, as atividades dessa escola como as aulas, eventos, publicações e abertura na mídia, justificam o sucesso e a influência exercida na época. Por toda essa movimentação, foi escola que se propôs a divulgar o conhecimento astrológico e formar profissionais. E, com certeza, realizou muito mais sob as auspiciosas promessas e significados da metáfora do Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci. Conseguiu gerar ações e inspiração para uma Astrologia de qualidade.






(*) O artigo citado de Antônio Carlos Bola Harres está na Enciclopédia de Astrologia, de James R. Lewis ( SP: Makron Gold, 1997) em sua versão brasileira com o título de PREFÁCIO À EDIÇÃO BRASILEIRA. Também é encontrado no link (http://espacoastrologico.org/astrologia-no-brasil/  maio 1997).


segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

ESCOLAS, LOCAL DE APRENDIZAGEM E DE ENCONTRO

Ana Maria Mendez González

Sabemos que a formação do astrólogo tem seguido caminhos particulares se compararmos com os de outras profissões. Mas, as escolas foram e continuam sendo importantes nessa função. Quais foram elas?

A descoberta de Escolas

Foram muitas as escolas que têm existido em São Paulo. Não imaginei tantas. Entre as que já fecharam e as que continuam em atividade, o número excede vinte. Daí que formam capítulo importante nesta história não só pela quantidade, como pelo que significam enquanto divulgadoras do conhecimento astrológico e formadoras de profissionais.

Algumas duraram muito, outras nem tanto. Independentemente do tempo de duração, sua maior ou menor relevância pode ser medida por promoverem eventos, organização de currículos e fazerem publicações. Todas foram (e são) importantes pontos de divulgação do conhecimento astrológico.

A primeira escola foi fundada em 1969. O Instituto Paulista de Astrologia (o IPA) propiciou encontros entre pessoas que geraram os programas de computação brasileiros mais utilizados pelos nossos astrólogos e foi ponto de partida da formação da Associação Brasileira de Astrologia (ABA).

Depois dela, tivemos a Escola Júpiter que Antônio Carlos Bola Harres, em seu texto (*) cita como sendo motivadora de outras três: uma no Rio de Janeiro, a de Cláudia Lisboa e em São Paulo, a Girassol de Maurice Iacoel e a GEA de Elizabeth Friedrich. Se observarmos mais de perto, cada uma delas poderá ter tido uma marca particular.

Porém, por enquanto, elas serão apresentadas nesta pesquisa sem critérios fixos como por exemplo a cronologia.

Elas constituem parte importante da formação do profissional astrólogo. São local de estudo e de encontros para a formação de uma consciência de grupo que é aspecto importante para o profissional.

Todas serão descritas nesta pesquisa. O conjunto delas apresentará significados históricos passíveis de serem lidos. Se porventura faltar alguma, a pesquisa é aberta a complementações. Informações serão sempre bem-vindas.

Meus agradecimentos a todas e todos que colaboraram com este trabalho de resgate passando informações. Ele só tem sido possível graças a essa generosidade.

(*) texto publicado como Prefácio da Edição Brasileira do livro ENCICLOPÉDIA DE ASTROLOGIA, de James R. Lewis (SP: Makron Gold, 1997) Também é encontrado no link (http://espacoastrologico.org/astrologia-no-brasil/  maio 1997).


sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

INSTITUTO DE ASTROLOGIA IO, FILHO DA LUA DE JÚPITER



Ana Maria Mendez González

Carlos Walker, além de astrólogo, é poeta, escritor, compositor e cantor, e nos brinda com sua experiência e reflexões como professor e responsável por escola de Astrologia.
 
POR UMA ASTROLOGIA APAIXONADA E VULCÂNICA

   A missão de nós, astrólogos, é refazer novos mitos, ouvir a voz oculta do inconsciente,
 fugir das padronizações vulgares dos símbolos do zodíaco, dos planetas e asteroides etc.”
Carlos Walker

O nome IO chegou pelo fascínio que as luas de Júpiter exercem em Walker. Em especial IO, cujo mito o encanta e que foi a escolhida e homenageada.
Folheto de divulgação

A Escola de Astrologia IO, Instituto Astrológico e IO-Espaço Cultural foi fundada em 2000 ao lado de Nelci Rogério, astróloga formada pela GAIA. Antes da criação da empresa e Escola IO, cursos de astrologia foram ministrados regularmente por alguns anos. Além da Astrologia, a escola contava com uma equipe de profissionais de outras áreas: Ayuverda, Tarô, Numerologias, Kabbalah, Yoga, Feng Shui, Reiki etc.

Durante o período de seu funcionamento, a escola passou por mudanças. No início, a IO atuava em Sorocaba e Jundiaí. Depois, ela foi transferida para São Paulo. Com o tempo, ela passou a ensinar exclusivamente Astrologia.
Apresentação de objetivos e programa de cursos

Os conteúdos são organizados em uma série de oito apostilas básicas que são utilizadas no decorrer de dois anos e meio de curso.

Antonio Carlos Bola Harres e outros professores foram convidados para cursos avulsos. Entre os temas abordados podemos citar Astrocartografia e a Santa Ceia.

A intenção maior da escola sempre foi o curso de formação técnica e profissional do astrólogo além de passar pela concepção do que seja o conhecimento astrológico na formação das pessoas.


O INÍCIO DE TUDO

O primeiro contato com a astrologia começou bem antes, no final dos anos 60. Carlos fez o curso completo de Astrologia na ABA por correspondência em 1973/74. Ele morava ainda no Rio e estava fazendo sucesso na TV Globo com as novelas globais, trilhas sonoras, programas etc. Era músico e não imaginava que logo se tornaria profissional de Astrologia. Em 1979 começou a dar aulas e a fazer atendimentos de clientes. Conheceu Cláudia Lisboa que estava vindo de São Paulo onde passou um tempo na Escola Júpiter e, com ela estudou o pensamento da Dona Emma de Mascheville.

Alunos em aula

O material da ABA e o contato com a Cláudia Lisboa, além dos livros em espanhol, francês e inglês que ele já tinha em sua biblioteca astrológica, que desde os anos 70 foi sendo formada, tudo isso deu alimento e nutrição suficientes para começar sua vida profissional como astrólogo. Ele então fez a troca definitiva: de músico famoso profissional para um astrólogo alternativo. Segundo ele, “Virei um astrólogo profissional e um músico mais alternativo”.

A atividade de Carlos Walker como professor de astrologia no Rio de Janeiro aconteceu em 1979, em Copacabana, no Espaço Kaanda Ananda e em Ipanema no Espaço Mandala, além de outros lugares. Nessa época suas turmas contavam com cerca de quinze a vinte alunos por turma, o que se manteve na escola durante anos.
Artigos compilados por alunos 

No início dos anos 80, começaram duas turmas grandes num espaço em São Paulo, na Praça da Árvore. Nessa época os alunos do Rio e de São Paulo resolveram compilar as aulas e fazer uma cartilha em formato de livro. Esse trabalho chamou-se "ASTROLOGIA, UMA ABORDAGEM LINGUÍSTICA" (1985), onde os prefixos e sufixos latinos eram associados aos movimentos dos planetas, em uma visão original de pensar-falar astrologuês e facilitar o mergulho linguístico no mapa. Além desse trabalho, ele publicou MITOGRÁFICOS (2007) em que reúne artigos de reflexão filosófica, simbólica e mítica, e astrológica.  

Artigos de reflexão filosófica, simbólica e astrológica

E intenso, ele conceitua: “A Astrologia é um desentupidor de sinapses e níveis de saber, assim como ativador do desenvolvimento do pensamento como linguagem e significado.”

OUTRO MUNDO

Naquela época, a Astrologia não era uma língua muito falada na mídia do cotidiano como acontece hoje em dia, em que os leigos já falam astrologuês, por influência do mundo digital ou porque os mais triviais termos da astrologia já se popularizaram em jargões. Há curiosidade e as pessoas acessam frequentemente a internet tendo conquistado o básico da terminologia técnica.
Apoio da mídia local: Jornal da Cidade

Naquela época não existia computador, nem celular, mesmo os jornais eram comedidos porque havia um preconceito velado e o editor ou o intelectual, mesmo se fizesse a leitura de mapa com profissional, não se mostrava adepto da astrologia na mídia. Ou seja, somente aqueles mais interessados corriam atrás para ter mais acesso do conhecimento astrológico. As pessoas chegavam aos cursos entre apaixonadas pelo assunto e ao mesmo tempo achando que talvez não conseguissem “desfolhar” a linguagem técnica.

Repercussão da IO no Jornal de Jundiaí

Segundo Carlos  “o mundo era neurologicamente mais tranquilo, menos velocidade, menos simultaneidade” em final dos anos 70 e toda a década de 80. Em seu linguajar de poeta, Walker diz que seus alunos, dos mais velhos e aposentados aos mais garotos não estavam “limitados ao binarismo tecnológico e se permitiam voar nos seus pégasus filopoéticos.” Ele continua: “Nenhuma década se compara aos anos 60-70. A magia vibrava os ares, as ruas, os ambientes.” 

Segundo ele, o mundo e cada lugar era diferente, singular, diferentemente do que ocorre hoje em dia com as redes McDonald´s e Habibs, as multinacionais se multiplicando   “com seus neons bregas, cafonas, ladeando, enfeiando os museus, as locações tradicionais, monstros do mercado destruindo símbolos mágicos tão antigos.” A partir dessa particular análise que Carlos faz podemos perceber uma ponta de saudosismo mas, ao mesmo tempo, ela abre para uma perspectiva crítica da Astrologia que ocorre hoje em dia e que o responsável do ensino astrológico deve levar em conta.

Palestras do Instituto Cultural de Astrologia são destaque em programa de rádio 

Segundo Walker, a escola passou por dificuldades o que não é raro em escolas alternativas e que se justifica pela instabilidade no número de alunos, pelo desnível crescente na cultura do país. Esta falta de interesse cultural, ele diz, acaba se refletindo no nível do interesse pela Astrologia como arte-ciência-pensamento-linguagem-saber e transformação linguística. Concluindo, ele diz: “Inúmeros desafios concretos e abstratos desafiam constantemente o ensino de uma Astrologia culta e séria.”



A EXPERIÊNCIA DE TER ESCOLA

No primeiro período da escola em que os cursos se faziam em espaço doméstico (de 1979 até 1999) assim como no período empresarial da IO (de 2000 aos dias de hoje) as experiências se configuraram múltiplas e sempre em sua maioria, gratificantes.

Para ele, estar em aula propicia uma “espécie de transe inspirador, porque posso instigar minha interioridade psíquica e me conectar com a escada espiral do tempo, da história, da arte, das técnicas que evoluíram através dos conhecimentos, dos níveis cíclicos de consciência que a humanidade caminha.”

IO Institudo Cultural de Astrologia recebe evento inter-religioso

Para ensinar Astrologia é necessário entrar em áreas da psicologia comportamental, da sociologia e da ciência natural e "antinatural" de nossos tempos. Mas acima de tudo compreender " a dialética dos sentidos da linguagem".

Pensador e poeta da Astrologia, ele confessa: “Sou contra todo tipo de corporação e institucionalização do saber astrológico. O astrólogo é o Hermes Trimegisto de jeans, destes tempos perigosos atuais, em que os robôs das próximas e breves gerações estarão em áreas estratégicas, em que só deveriam estar as mentes humanas mais conscientes.” Como podemos observar, ele não tem medo de polêmica e ainda contabiliza ganhos com o tempo na Astrologia: “E quanto mais velhos ficam os astrólogos mais despertas e luminosas ficam suas antenas psíquicas.”

Ele continua: “O astrólogo terá que enfrentar o Monstro Tecnológico Binário e redutor para otimizar o lado positivo da tecnologia, e despertar quem sabe o PENSAMENTO e a linguagem HOLOGRÁFICA. Caberá ao astrólogo recuperar todas as línguas mortas, re-arborizar todas as línguas   ainda vivas e identificá-las no sagrado e infinito caminho das estrelas.”

Como pensador que é, Carlos se expande em aspectos significativos do saber astrológico claramente sob influência das paixões e atividade vulcânica de IO, a Lua de Júpiter.

Educador, ele finaliza com reflexão maior : “O ensino da Astrologia é um exercício de humanismo e universalidade.”