quinta-feira, 6 de setembro de 2018

CLÁUDIA LISBOA E A ESCOLA JÚPITER

Ana Maria M. González


As escolas são local de aprendizagem e de encontro. No caso de Cláudia Lisboa, a Escola Júpiter representou também momento de definição. 

CLÁUDIA LISBOA E A ESCOLA JÚPITER

A passagem pela Escola Júpiter em São Paulo foi importante na construção de sua carreira como astróloga. Era época de juventude quando a vida ainda está sendo definida em muitos de seus aspectos. À beleza dessa fase da vida podemos acrescentar dúvidas, medos e ansiedades. Definições são delineadas em meio a angústias. Não foi diferente com Cláudia Lisboa. Ainda em São Paulo, algum tempo depois, Cláudia teve outras oportunidades dando aulas e palestras em casa e escola de amigos, infindáveis palestras e cursos. Depois, veio a exposição na mídia e os livros em que junta seu conhecimento e amor pela Astrologia.

Mas, como foi o começo de sua carreira na Escola Júpiter?

ESCOLA JÚPITER DE ASTROLOGIA


São Paulo era somente uma passagem geográfica em sua vida. Seus caminhos iam de Porto Alegre ao Rio de Janeiro, onde nascera, para a visita aos avós, cortando a cidade paulista, meio a contragosto. Era um atraso na direção ao destino. De carro, São Paulo era a passagem chata.

Foi em Porto Alegre que ela conheceu Dona Emmy de Mascheville quando fazia arquitetura. Uma turma jovem adepta da contracultura agitava o ambiente. A Astrologia fazia parte dos conteúdos dessa geração que exercitava a prática da rebeldia. Apaixonou-se pela mestra e pela Astrologia no primeiro dia de aula. E poucos dias depois, viu-se sentada calculando mapas e luas progredidas. Tinha facilidade para isso e talvez estivesse apenas relembrando. Sua tarefa era transcrever as gravações dos mapas que seriam entregues aos clientes, o que lhe trouxe enorme aprendizagem prática junto à mestra. Era 1974. Certo dia, Antonio Carlos Harres Bola entrou na sala em que ela estava fazendo cálculos e vaticinou: "Você vai fazer isso um dia".

Mesmo assim seus estudos de arquitetura seguiram.

Não muito anos depois, viveu uma crise em uma noite insone: “Não é isso que eu quero". Em meio a angústias começou uma carta para o amigo Bola. Estava aos prantos. Era duas horas da manhã. Mas sua mãe entra no quarto e lhe diz que Bola quer falar com ela ao telefone. Ele então reclama: "O que acontece que eu não consigo dormir?." Surpresa e concomitância nas emoções! Ela lhe descreve as estranhas sensações e ansiedades perante desejos de fazer astrologia. Veio o convite do amigo: " Vem morar com a gente." Então, ela foi de mala e cuia para São Paulo. Era uma cidade desconhecida. Mas lá estava a Escola Júpiter, onde continuou a fazer os cálculos: " Eu era o apple da época.", brinca.

Um dia substituiu o amigo Antonio Carlos Bola em aula de cálculo.

Deu a aula e gostou. Os alunos gostaram!  Depois soube que era uma pequena e útil armação para quebrar resistências e fazer ela começar a dar aulas. Acabou assumindo aulas de cálculo do grupo.

Era o começo de sua integração em uma escola que, embora não tivesse um currículo, apresentava certa organização, aulas de matérias variadas e professores. O que parecia estranho para Cláudia que em POA tinha seu lugar de trabalho em mesa de garagem. Suas aulas giravam sempre em volta uma conversa, intencionalmente sem teor acadêmico.  Logo era professora também em aulas de conceitos básicos e de interpretação.

Havia camaradagem entre os três professores responsáveis pela escola, Olavo de carvalho, Antonio Carlos Harres Bola e Marylou Smonsen. Havia também divergências teóricas entre Olavo e Bola, como por exemplo relacionadas às regências. Havia os seguidores de Antonio Carlos Harres e os do Olavo de Carvalho. E havia uma bolha energética junto a D. Emmy que frequentava a escola dando palestras. A Revista Júpiter que era uma produção do grupo trouxe em um dos números matéria escrita pela mestra Emmy.

Tudo isso formava um território que se tornou familiar. Havia aulas, mapas, os amigos Marylou, Bola, Olavo. Cláudia Lisboa assistia às aulas de todos. Morava em uma casinha de vila, em Perdizes. Levou a arquitetura até o quinto ano, sem finalizar. Realmente ela não gostava da natureza acadêmica.

A Escola Júpiter era uma congregação e espécie de fraternidade. Todos estavam sempre juntos. Caronas pra lá e pra cá. A casa da Marylou Simonsen era um ponto de encontro. Parecia uma grande família de desgarrados.

Era 1979. A escola fechou 1980. Como? Por quê? Havia dificuldades para manter a escola. O amigo Antonio Carlos Bola tinha avisado.

Era momento de mudar. Foi então para o Rio assumir a turma de alunos que o amigo tinha deixado. Começou dando aulas de cálculos, claro!

E DEPOIS?

Depois, todos sabemos o que aconteceu. Cláudia Lisboa continuou a dar aulas, deu palestras, foi para a TV, publicou livros, cresceu como profissional.

E o que mais ficou na memória dessa época?

O tempo de Escola Júpiter foi de amadurecimento e aprofundamento da parte técnica da Astrologia. Tempo de aprendizado.

Outras lembranças enfatizam marcas daquela época em sua carreira de astróloga. Nos trajetos de ônibus equacionava os problemas de mecânica celeste, importantes para quem quer conhecer os cálculos astrológicos. Tais estudos de astronomia a prepararam para o trabalho posterior com a mecânica celeste. Essa foi uma herança preciosa de seu pai que estudava astronomia. São muitos os flashs de sala de aula guardados em cantos insuspeitados. E vê-se ainda sentada e calculando os mapas ou ainda no escritório do amigo Bola. As conversas com dona Emmy. Em todas essas memórias, está identificada a relação afetiva de Cláudia Lisboa com suas experiências.

Foram desejos de muitos e de todos que casaram bem. Era também para ela uma época difícil de grande mudança e transição. Foi um ano apenas na Escola Júpiter, mas foi lá que ela viveu o impulso da grande mudança. Largou tudo e foi ser astróloga.

Voltando ao Rio de Janeiro ainda trabalhou em escritório de arquitetura desenvolvendo projetos de stands para feiras. Virava noites projetando e viajava muito. Paralelamente havia a rotina de mãe com filha pequena e a casa e o trabalhoso equilíbrio das finanças.

Mais tarde fez outros contatos em SP que lhe permitiram a continuidade das aulas para grupos. Deu aulas na casa da empresária e produtora artística Célia Macedo (1998) e nas escolas de Valdenir Benedetti (1998) com quem conheceu vários conceitos diferentes tais como indicador condicional, acidental e natural. Segundo Cláudia, ele tinha inteligência rara e pelo jeito encantador de sua personalidade, as conversas entre eles se desenvolviam longamente. Na casa de Maria José Langone (1998 a 2005) por longos cinco anos deu aulas e organizou até um curso de formação. Dava palestras em eventos, fazia mapas em expressiva formação de clientela. Maria José (Zezé) fazia a agenda e funcionava como uma espécie de eminência parda gerenciando tudo. Cláudia tinha uma espécie de franquia paulista do que acontecia no Rio.

Essas aulas em várias épocas e lugares desenha sua história no ensino da astrologia, e enquanto fazia mapas, iniciou uma pesquisa nas profundezas psíquicas da natureza humana. Mas, nesse ponto do encontro, nossa conversa tomou um rumo diferente.

Momento para reflexões

Ao final do encontro, Cláudia começou a fazer uma comparação entre a época em que ela decidiu ser astróloga e os tempos de hoje em dia. Foram apontados aspectos diferentes na formação do profissional e decisão de ser astrólogo.

Naqueles tempos, o estudioso de Astrologia começava a trabalhar sem noção de detalhes que hoje em dia são importantes e que promovem qualidade na formação do profissional. Por exemplo, hoje em dia há a consciência da necessidade de supervisão na prática que começa. Um acompanhamento e grupos de supervisão para os alunos que se profissionalizam. 

Outro dado é a tendência do saber astrológico ser desgarrado da natureza acadêmica. Segundo ela, à medida em que o saber foi se aproximando do acadêmico, ele ganhou em qualidade de ensino, mas foi perdendo o afeto.

A experiência que ela teve mais recentemente na mídia lhe trouxe observações em relação ao caráter profissional da astrologia. Foram dois anos de programa de 25 minutos no ar no canal GNT. O público desse programa deu um retorno que indicou a força da astrologia. As pessoas escreviam e davam palpites e opiniões. Faziam comentários, perguntas a partir do que era apresentado. Havia mais do que mera tietagem...

Havia a surpresa por esse tipo de Astrologia que era percebida como séria! Na mídia, a astrologia passou por uma simplificação para atingir a um público leigo de forma acessível, ainda que o aprofundamento dos assuntos fosse apontado como possibilidade.

A experiência de iniciar uma carreira em Astrologia é muito particular para cada um. Ela não depende de formação acadêmica mas de uma escola em geral menos formal e aulas com professores e da decisão de se formar profissional apenas.

Na época da sua formação, segundo Cláudia, a decisão de ser astrólogo ia acontecendo um tanto informalmente. A decisão de ser profissional era diferente. paixão de dar aulas. Interessantes reflexões.

Foi assim esse encontro com uma divulgadora e profissional competente da Astrologia ao longo de quase duas horas, à mesa de um restaurante em São Paulo, no final de um café da manhã entre sucos de melancia e cafés. Foi uma conversa franca e cheia de simpatia a partir da qual resgatamos um pedacinho de sua passagem pela Escola Júpiter no começo de sua carreira. Bom lugar para começar uma expressiva carreira de astróloga!


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Astrologia nos canais de Tele 900: a era de Walter e seu mercado

Clarissa De Franco


O figurão Walter Mercado, sucesso de 1996 a 1999.
A década era 1990, período que entrou para nossa História como o início do acesso da população à Era Digital. Eu tinha apenas pouco mais de uma década de vida e me maravilhava com a sedução daquele mundo que se abria. Não só a internet ampliava seu alcance em termos midiáticos, os telefones móveis também começaram a se popularizar naquele momento (dá para imaginar nossa vida sem a internet e o celular?!). Dentro desse contexto de boom midiático, muitas empresas e canais de TV passaram a anunciar canais de atendimento telefônico, por meio dos quais eram comercializados vários tipos de serviços e informações. Eram os Tele 900. Quem não se lembra dos famosos canais de Tele Sexo? Do bordão “Ligue Jdá”? De todo este período em que fantasiávamos ter acesso a tudo em um telefonema? 

Uma prática usual das empresas que ofereciam os serviços de Tele 900 era cobrar um valor fixo por minuto dos usuários. Esses valores, variados, chegavam a ostensiva quantia de cinco reais por minuto! As opções de serviços eram muito diversificadas, desde Tele 900 da Turma da Mônica – no qual se podiam ouvir histórias que não estavam nos gibis – os canais de Tele Sexo e Tele Namoro – bastante conhecidos na época –, e os serviços de Astrologia e comércio esotérico em geral, dos quais falaremos neste breve artigo. Podemos dizer que o Tele 900 foi o pai dos aplicativos modernos, já que possibilitava ao consumidor que usufruísse dos serviços de modo particularizado, no seu tempo, à distância e de seu próprio aparelho e residência. 

Nesse frisson, uma dessas empresas a oferecer serviços Tele 900 para Astrologia foi a Vimeltary Prestação de Serviços de Telefonia e Assistência, que tinha o nome fantasia de Tele Futuro e era provedora de tecnologia para o funcionamento do "Disque Mãe Dinah”. Nesse momento, o serviço astrológico era oferecido ao lado de outros como tarô, runas, baralho cigano, uma espécie de rol esotérico à disposição dos dedos dos usuários.

Outro canal de mesma natureza que adquiriu sucesso estrondoso foi o do porto-riquenho Walter Mercado, figura cujo carisma até hoje o faz ocupar a mídia, sendo conhecido em muitos países da América por uma miscelânea de atributos, dentre eles sua aparência andrógina, e, na época dos serviços no Brasil, era lembrado pelo já citado bordão “Ligue djá”. Walter Mercado foi um fenômeno construído midiaticamente. Ele veio poucas vezes ao Brasil e emprestava seu carisma místico ao nicho que rendeu sucesso até o fim da década de 90. 

Nosso colega astrólogo Guilherme Salviano, contou em gentil depoimento, que havia, na central de atendimento em que ficavam os atendentes da empresa de Walter Mercado, um mural com as fotos do porto-riquenho ao lado de celebridades, como Bill Clinton e Madonna, para quem teria prestado serviços astrológicos. Uma clara referência à manutenção da imagem de um ícone produzido para impressionar.

Em uma reportagem do Jornal Folha de S. Paulo de 1996 (disponível emhttp://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/9/29/cotidiano/23.html),conta-se que em poucos meses de atendimento, a equipe do Walter Mercado já se compunha de cerca de duzentos “videntes” (assim foram chamados os profissionais atendentes pela matéria), contando com quase três mil ligações diárias feitas por usuários. Um mercado milionário. 

O colega Maurice Jacoel, que atuou nesses serviços, afirmou em entrevista para o site Constelar que os empresários desse ramo costumavam chamar os atendentes profissionais de “místicos”. Em tom crítico ao aspecto mercadológico do trabalho e às condições em que se encontravam os profissionais geralmente com vínculos trabalhistas frágeis, Maurice enfatiza que o prestígio dos atendentes era “determinado pela sua capacidade de fazer com que os atendimentos gerem (gerassem) mais e mais minutos” (http://www.constelar.com.br/revista/edicao00/mercado2.htm). Podemos pensar que os termos “vidente” e “místico” reforçavam a aura esotérica em torno dos profissionais do Tele 900 astrológico, garantindo uma distância entre atendentes e atendidos, uma espécie de “abismo iniciático”, algo bom para os negócios. 

Walter Mercado, embora tenha empreendido o maior negócio astrológico de Tele 900 em São Paulo, vinha pouco ao Brasil. Sua importância consistiu na criação de um importante mercado em Astrologia, tanto para profissionais da área quanto para o público. Sua empresa operava na região da Avenida Paulista, em São Paulo, em um prédio que também foi ocupado por outras empresas da área, como Disk Dione Forti. 

Guilherme Salviano, que atuou em vários destes serviços, afirmou que os astrólogos e astrólogas eram, na verdade, minoria entre os atendentes, sendo muitos deles profissionais de outras áreas, mesmo em serviços que levavam nomes de astrólogos. “Numa proporção de 100, no máximo 20 eram realmente consultores de mapa astral por telefone. A maioria atendia ao telefone e oferecia consultas de tarô, baralho cigano, numerologia e alguns até jogavam búzios”, disse Gui Salviano. Ele também nos contou sobre o software utilizado na central de atendimento de Walter Mercado pelos profissionais astrólogos/as: VegaPlus 5.0.

Mãe Dinah, em imagem que reforça a alcunha de “vidente”. 
Além dos já mencionados Tele Futuro, da Mãe Dinah, “Ligue djá” de Walter Mercado e Disk Dione Forti, outros grupos também atuaram nesse ramo, como o Instituto Omar Cardoso, Norma Blum e seus Magos, Mystical Line e, no Rio de Janeiro, Leiloca Conections.

Nosso colega Guilherme Salviano contou ainda que estes serviços começaram, no início da década de 90 como “ apenas Horóscopos gravados, o qual, através de um número especifico você ouvia sobre seu signo. Normalmente uma numeração com final 01 para Áries, 02 para Touro e assim por diante”. Com o passar dos anos, no entanto, estes serviços foram se expandindo e adquirindo outros formatos e as oportunidades de ganhos para profissionais de astrologia aumentaram significativamente. 

Além dos canais de 0900, que atingiam o público nacional, tínhamos os serviços de números sem o zero inicial, os canais estaduais, que começavam por 900, como o Mystical Line e Linha do Futuro. Eram comuns para estes canais, anúncios em revistas.

Os mesmos investidores que apostaram em Walter Mercado, cuidaram de divulgar o Disk Dione Forti, Tele 900 da astróloga Dione Forti, que apresentava o programa Alto Astral nas manhãs da Rádio Bandeirantes, além de falar sobre mapa astral de ouvintes e citar o Horóscopo diário. Sua empresa passou a operar no mesmo prédio em São Paulo onde funcionava o atendimento da empresa de Walter, onde também chegou a operar o serviço do astrólogo Oscar Quiroga, pouco tempo antes. Para termos ideia da abrangência física desse fenômeno, um prédio em São Paulo chegou a ocupar três andares de call center de serviços de Tele 900 em astrologia e esoterismo. 

Além da Dione Forti, outra mulher a gerenciar um Tele 900 de Astrologia foi a atriz e astróloga Norma Blum, conhecida pelos seus interesses em assuntos de meditação e misticismo. Segundo depoimento do colega Maurício Bernis, Norma Blum teria sido assessorada tecnicamente pela International Society of Astrology Research (Isar), instituição que emite certificação internacional para astrólogos e cuja reputação é bastante conhecida no meio astrológico.

Não podemos deixar de citar dentre estes sistemas, o Instituto Omar Cardoso, no qual prevaleciam os atendimentos astrológicos, e era administrado pelo filho de Omar Cardoso, um famoso radialista (o pai), divulgador da Astrologia em décadas anteriores.

Foto cedida pelo colega Maurício Bernis.
O colega Maurício Bernis, que foi gerente técnico do Instituto, nos concedeu depoimento, indicando que o minuto da ligação em 1999 era de R$ 4,95. As técnicas utilizadas pelos profissionais na época eram as tradicionais: mapa astral, revolução solar, trânsitos... Também nos contou que o público-alvo desses atendimentos era, em maioria, de classe média e classe média baixa, do interior do Brasil, em função da falta de acesso que havia em muitos desses locais aos serviços astrológicos. 

Embora no Instituto Omar Cardoso os serviços astrológicos eram de fato realizados por astrólogos, Mauricio Bernis, assim como indicou Maurice Jacoel de modo bastante contundente, também contou que a credibilidade desses serviços era duvidosa e que começaram a surgir críticas, inclusive da própria mídia sobre a veracidade dos atendimentos. Nessa reportagem de 1999, podemos verificar um processo contra Mãe Dinah e sua equipe do Tele Futuro com a acusação de estelionato e formação de quadrilha, movido por uma usuária que teria se sentido prejudicada e enganada. (Reportagem disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff24079921.htm).

Depois de algum tempo de conhecimento do público sobre estes serviços, alguns astrólogos e astrólogas passaram a ter linhas pessoais de atendimento, operando de sua própria residência, como forma de premiação por terem sido os que mais atendiam nas empresas de Tele 900 ou como iniciativas particulares.

Após a privatização dos serviços de telefonia iniciada em 1999, os canais Tele 900 foram extintos. Apesar do pouco tempo de existência, seu legado para a Astrologia não pode ser desprezado, já que muitos astrólogos e astrólogas fizeram daquela experiência um degrau para os próximos níveis da carreira. O treinamento intensivo do Tele 900 exigia dos profissionais de Astrologia um enorme traquejo para comunicar os conteúdos astrológicos de forma resumida e acessível.  

Dione Forti, que atuou na TV Mundi.
A despeito das críticas sobre o tipo de trabalho astrológico feito nas empresas de Tele 900, do aspecto mercadológico que por vezes pode ter prejudicado a qualidade dos serviços e, em especial, a reputação da Astrologia, terminamos este breve texto, com a expectativa de que esta intensa e breve faceta do campo de atuação da Astrologia no Brasil seja reconhecida como parte da trajetória em busca de uma melhor profissionalização de nossa área, maior inserção, divulgação e, acima de tudo, um exercício de utilização das tecnologias e das mídias disponíveis na época para fins de aproximação do pensamento e da prática astrológica com o grande público.

Clarissa De Franco¹
Psicóloga, astróloga e cientista das religiões

¹ Agradeço, por esta oportunidade de pesquisa, aos gentis colegas Guilherme Salviano, Maurice Jacoel, Maurício Bernis que me cederam depoimentos, à coordenadora deste projeto, a querida Ana Maria Gonzalez, e aos demais colegas que estão contribuindo com a pesquisa, além de todos os astrólogos e astrólogas que se dedicam a manter viva a trajetória da Astrologia.  

quarta-feira, 29 de março de 2017

O LEGADO DA OFICINA PAULISTA DE ASTROLOGIA: EM BUSCA DA QUALIDADE DO PROFISSIONAL

Claudinèi Dias
  

Ao mapear o desenvolvimento da Astrologia em São Paulo, às vezes encontramos personagens e instituições significativas, mas pouco conhecidas ou lembradas. Uma das instituições importantes na história da Astrologia em terras bandeirantes foi a OPA (Oficina Paulista de Astrologia) e graças às entrevistas com a Pá Falcão e a Divani Terçarolli, que com muita atenção e simpatia compartilharam suas memórias conosco, agora temos um registro do que foi e o que fez a OPA.

No início dos anos 90, Pá Falcão, então profissional de TI, estudante de Astrologia e astróloga iniciante que já tinha contato com vários astrólogos, como Carlos Hollanda, Carlos Fini, Rodrigo Araês Caldas Farias e Valdenir Benedetti, começou a envolver-se mais com o ambiente astrológico paulistano. Após conhecer mais pessoas e instituições, decidiu fazer uma abordagem que considerava mais adequada aos tempos correntes e à sua visão do que deveria ser o relacionamento entre os astrólogos e a sua participação na sociedade.

Outros astrólogos também tinham essa intenção de estabelecer uma associação que tanto lhes proporcionasse apoio à sua classe e aos seus trabalhos, como também os divulgasse fora da comunidade astrológica. Em São Paulo, Pá Falcão iniciou a OPA, com a participação de Nivaldo Figueiredo de Souza, Ana Cristina Clemente Abbade, Ana Maria Gonzáles e vários outros astrólogos.

A OPA estabeleceu regras e critérios de participação e atuação de seus membros, visando manter um alto nível de qualidade. Isso é visto, por exemplo, nas condições para ser participante da OPA, que requeria, entre outras coisas, que o astrólogo apresentasse seu Curriculum Vitae, escrevesse uma monografia de dez páginas, prestigiasse seus colegas, escrevesse textos e tivesse participação constante nos projetos da OPA e na divulgação da Astrologia. E esse cuidado não só com os astrólogos, mas também com a Astrologia em si, fica mais evidente ainda quando vemos os objetivos da entidade:

·    Esclarecer as pessoas em geral sobre o que vem a ser, de fato, a Astrologia.
·    Apresentar a Astrologia com responsabilidade e qualidade.
·    Criar uma base cultural da Astrologia no estado de São Paulo, através de textos, fitas de áudio e vídeo e banco de dados.
·    Incentivar o público a usar a Astrologia como uma opção para melhoria da qualidade de vida.
·    Dar educação continuada àqueles que já são astrólogos, participando ou não da Oficina Paulista de Astrologia.

Ou seja, a OPA não queria simplesmente buscar clientes para os astrólogos, queria fazer algo quase apostólico no sentido de fortalecer e divulgar a Astrologia, e para isso era preciso capacitar os astrólogos e educar os não-astrólogos.  


A OPA não tinha sede fixa; as reuniões quinzenais aconteciam na casa da Pá, do Nivaldo, ou na Livraria Triom (com o apoio da Renata Carvalho Lima Ramos). Participavam de oito a dez pessoas; algum dos participantes fazia apresentação de um tema, discutiam-se mapas de clientes ou de conhecidos, trocavam-se informações. A OPA incentivava o aprimoramento astrológico de seus participantes e assim eram vistos assuntos como Astrocartografia, Nodos Lunares, Signos e Relacionamentos, Profissões e Astrologia, Astrologia Empresarial, etc., mas não Horóscopo: um dos objetivos era construir (ou resgatar) uma imagem de seriedade e responsabilidade para a Astrologia, em contrapartida à divulgação mais popularesca e superficial que tantas vezes essa Arte recebe.

Outra bandeira da OPA é que os astrólogos se profissionalizassem, que abordassem a Astrologia de forma empresarial. Assim, os participantes tiveram cursos sobre marketing pessoal e de oratória, e também foi feita a padronização dos cartões de apresentação, entre outras providências para que o astrólogo se colocasse como um empreendedor sério e que deve ser respeitado como todo profissional em seu trabalho. Com o acesso mais fácil à internet, no final dos anos 90, ter essa conexão pessoal à rede passou a ser pré-requisito para ingressar na OPA: o astrólogo deveria estar conectado ao mundo e acessível a ele. Logo seguiu-se a criação de site da OPA e a publicação de boletins informativos de frequência variando de semanal a mensal, chegando a 35 edições, e também da criação de um grupo de discussão no Yahoogroups.

Com as demandas pessoais e profissionais, e o nível exigido pela OPA, os participantes mudavam, mas mantinham-se sempre em torno de dez, e também se mantinha a qualidade do trabalho realizado. Divani conheceu Pá entre 1996 e 1997 e entrou ativamente na OPA em 1999. Também passaram pela OPA, ou participaram de suas atividades: Maurice Jacoel, Lilian Barros e Maria Tereza Nabholz, entre vários outros.

Em 1999, Pá esteve num encontro de Astrologia na Inglaterra, conheceu Robert Hand, Noel Tyl e outros astrólogos famosos e que publicavam livros. Inspirada por esses contatos, ela decidiu realizar um congresso no Brasil buscando aquele nível de excelência que viu em terras bretãs e com um desses astrólogos como atração.

Pá convidou Noel Tyl para vir ao Brasil e em 2000 realizou com ele um evento de palestras e atendimentos, na antiga União Cultural Brasil Estados Unidos, na Rua Oscar Porto (região da Avenida Paulista, em São Paulo), movimentando o cenário astrológico paulista.

Numa entrevista do evento, perguntaram a Tyl o que ele achava do mapa do Brasil e ele respondeu, leoninamente, que não tinha o que dizer sobre algo que não existia, pois não havia um mapa astrológico oficial ou de consenso sobre o Brasil. Isso foi o estímulo para Pá encarar mais um desafio: defender, entre os astrólogos brasileiros, o mapa do Brasil com o Ascendente em Aquário, e convocar trabalhos de diversos autores sobre esse mapa.

Esse esforço resultou no livro Brasil Corpo e Alma – Re-conhecendo o Brasil pela Astrologia, organizado pela Renata, da Triom, e com textos de Adonis Saliba, Ana Maria Gonzáles, Carlos Fini, Eneici Prado, Hanna Opitz, João Acuio, Lydia Vainer, Maria Tereza Nabholz, Maurice Jacoel, Maurício Bernis, Nivaldo Figueiredo de Souza, Paula (Pá) Falcão, Sergio Frug, Sonia M. de Lima, Teresinha Queiroz e Waldyr Bonadei Fücher. Esse livro mereceu um lançamento especial em 2001.

Nessa época, Pá já fora apresentada por Divani ao Maurício Bernis, e esse contato ajudou a reforçar a determinação da abordagem empresarial para o trabalho dos astrólogos. Ela também tinha contato vários astrólogos do cenário brasileiro, estava bastante ativa na lida astrológica, mas começara a se afastar da OPA. Havia avançado bastante em outra de suas paixões – o desenvolvimento de jogos cooperativos – e ganhara proximidade com o pessoal de RH (Recursos Humanos). Conseguiu o apoio da APARH (Associação Paulista de RH) e realizou um congresso no Hotel Transamérica, da Alameda Santos (São Paulo), com toda a infraestrutura de um grande evento, duas palestras simultâneas e vivências, e o lançamento do livro. Vários astrólogos participaram, porém o público foi majoritariamente de profissionais de RH, servindo para a aproximação da Astrologia junto às empresas.

O sucesso desse evento levou à realização de novo congresso em 2002. Mas Pá já começara a deixar a OPA, pois sua carreira de desenvolvedora de jogos cooperativos estava em plena ascensão; também havia ainda o peso do impacto financeiro de bancar a vinda de Noel Tyl, e o desgaste pela constante busca de mercado, melhorias e excelência para os astrólogos. Divani também estava focada no desenvolvimento de sua carreira e já estava afastada da OPA desde a época do evento com Tyl. Outros astrólogos que participavam da OPA seguiram o mesmo caminho e a instituição acabou, informalmente como surgira e existira, após cerca de dez anos de atuação.


Além do evento com Noel Tyl, dos congressos em parceria com a APARH, e do livro Brasil de Corpo e Alma, o legado da OPA inclui a busca da profissionalização dos astrólogos e da valorização da Astrologia. Ideias defendidas pela OPA podem ser encontradas em outras instituições, como a AstroBrasil, onde atua a Divani: educação continuada do astrólogo, aproximação das empresas, prestação de serviços de forma profissional (e não como hobby) do astrólogo, etc. Isso colaborou para a formação de vários astrólogos, como Titi Vidal, Elizabeth Nakata e Patrícia Valente. Nessa década de existência, a OPA mostrou o que é possível conseguir em termos de qualidade e de realizações, desde que se encare os grandes desafios que surgem.

Divani continua atuando na Astrologia, participando da AstroBrasil e dando cursos. Pá ficou 14 anos afastada completamente do ambiente astrológico, mas entendeu-se com Saturno e em 2015 voltou a estudar e a atender. Isso é muito bom para a Astrologia de São Paulo, que agradece :)   


Claudinèi Dìas é astrólogo especializado em Astrologia Clássica, blogger em “Astrologia do Rock” (http://astrologiadorock.blogspot.com) e participa da equipe que realiza a pesquisa na História da Astrologia em SP. 







quinta-feira, 16 de março de 2017

O encontro da Astrologia com o Mestre: a vida de Waldyr Bonadei Fücher

Renata Fücher 

Waldyr Bonadei Fücher, nascido aos 24 minutos do dia 18 de Agosto de 1926 em São Paulo, sobrinho do pintor e artista Aldo Bonadei, trabalhou na Importadora e Papelaria A.Fücher de sua família, onde conheceu Vilma Andrade Fücher, que seria sua futura esposa. Formado em Administração de Empresas pela Escola Superior de Administração e de Negócios, ocupou vários cargos em empresas comerciais, industriais e de economia mista. Finalmente astrólogo foi fundador da Escola Regulus onde por muitos anos exerceu e compartilhou seus estudos. Este capítulo irá discorrer sobre sua vida e sobre seu legado deixado na Terra.

Casou-se em 14 de Setembro de 1957 com Vilma Andrade Fücher, e gerou dois filhos, Alexandre nascido em setembro de 1958 e Rodolfo em fevereiro de 1962.

Embora tenha comprado seu primeiro livro “Astrologia ao alcance de todos” de Maria Luisa Díaz Leisa (Ed. Pensamento 1949) em janeiro de 1950, seu primeiro contato com esta ciência foi em setembro de 1965, quando sua irmã o convidou para conhecer, uma pessoa muito especial chamada Wilhelm Fr. Bader, um grande conhecedor da Astrologia. Antes desse encontro, ele não acreditava na influência dos astros no ser humano, por este motivo, nunca teve interesse na Astrologia.

O astrólogo Bader interpretou seu mapa, e por obra do destino ou influência planetária como ele próprio dizia, iniciou-se na Astrologia. Pois nesta interpretação, Bader disse fatos que apenas ele sabia, por exemplo, a maneira como se comportava durante seus exames escolares. Fato interessante a relatar: Waldyr era o último da lista de sua sala, e quando era chamado pelos professores, respondia com a parte que havia decorado (mesmo não sendo referente à pergunta). E sempre recebeu boas notas, pois professores já estavam cansados de ouvir tantos alunos.

Bader também fez a previsão e lhe disse que seria professor de Astrologia e que seus alunos seriam na maioria do sexo feminino. Podemos já dizer aqui, que foi a previsão mais precisa!

Por aconselhamento, começou a frequentar a Fraternidade Rosacruciana de São Paulo, onde iniciou de fato seus estudos astrológicos. Sempre estudioso e ao ler muito sobre o assunto percebeu que era muito sério e interessante.

Em certa noite sonhou com Bader, e ao acordar contou para sua esposa que o mesmo lhe entregava uma chave. Devido a problemas de saúde, Bader estava internado, sendo assim ligou para hospital para ter notícias do amigo e ficou sabendo que o mesmo faleceu. Waldyr significou o sonho da entrega da chave, como a continuidade do legado de Bader.

Certo dia em um restaurante vegetariano viu uma propaganda do Instituto Paulista de Astrologia, onde se formou em nível avançado e onde também foi professor. Foi fundador da ABA – Associação Brasileira de Astrologia e do SAESP – Sindicato dos Astrólogos do Estado de São Paulo, nos quais exerceu diversas funções.

Em meados de 1975 decidiu se aposentar da carreira de administrador e seguir seu destino na Astrologia. Neste mesmo ano se registrou como profissional liberal, passou a atender clientes, a lecionar em aulas particulares e em grupos, tanto em seu apartamento como na casa dos alunos. As aulas em grupo já eram estruturadas, possuíam fichas de inscrição, presença, certificado e etc. Assim iniciou sua Escola de Astrologia.

A Escola precisava de um nome, e em uma reunião familiar e de amigos, surgiu a idéia de o nome ser referência à estrela. Ao pesquisar as estrelas, encontraram uma relação com a estrela Regulus: ela estava em conjunção com o Sol e Netuno do mapa de Waldyr Bonadei Fücher e em conjunção com a Lua e o MC de sua esposa Vilma.

Assim a escola foi denominada “Regulus, Cursos e Assessoria Astrológica”, cujo símbolo foi depois desenhado por um amigo.

Incentivado pela sua esposa, resolveu que a escola tivesse um local próprio.

Agora o desafio era achar um local. Em uma noite, sua esposa teve uma visão onde seria esse espaço de trabalho, mas não sabia exatamente onde. Um certo dia o casal estava voltando de uma escola, na avenida Indianópolis, onde Waldyr dava aulas de astrologia; o trajeto passava na avenida Vinte e Três de Maio, quando se depararam com uma propaganda imobiliária de venda de conjuntos para escritório. E então sua esposa diz: “Será esse o local onde você irá trabalhar”.  A partir deste momento surgiu o nascimento da Regulus como uma empresa.

No dia seguinte, foram até o local verificar e, dentre os 280 conjuntos lá existentes, escolheram o conjunto 71-E, comprado em novembro de 1980 onde permanece até hoje a Escola Regulus.

As primeiras turmas começaram no ano seguinte, 1981, e, em pouco tempo, a Regulus cresceu em fama e em espaço, sendo necessário comprar o outro conjunto do andar.  Dos seus ensinamentos surgiram grandes astrólogos e vários retornaram a Regulus como professores, hoje levando adiante seus ensinamentos.

Anos depois, em sua vida pessoal, Waldyr tem seu primeiro neto, Arthur Fücher nascido em maio de 1990 e dois anos depois sua neta, Renata Fücher nascida em novembro de 1992 filhos de Alexandre e sua nora Eliana, que atualmente mantêm vivo o legado.

Em sua vida profissional de astrólogo, além de professor foi conferencista em vários Congressos, Simpósios e Colóquios, organizados pela ABA, SARJ, SINARJ, ASAS, Escola Santista, Instituto Delphos, GAIA entre outros em diversas capitais do Brasil. Algumas de suas teses foram traduzidas para o Inglês, Francês e Espanhol.

Participou de algumas publicações de livros, tais como:“Astrologia Hoje: Métodos e Propostas” (Massao Ohno Editor) com capítulo ‘Astropedagogia’ (1985); “Interpretação de Horóscopo: técnicas e estilos” (org. Valdenir Benedetti) com capítulo ‘Técnica para a interpretação de Horóscopos’ (1993); “Astrologia: 12 Portais Mágicos” (org. Cleide Guedes) com o capítulo ‘Touro – Papa João Paulo II’ (2001); “Brasil, Corpo e Alma” (org. Renata Ramos), com capítulo ‘D. Pedro II e a Astrologia’ (2001) e; “Astrologia para Um novo Ser” (coord. Por Valdenir Benedetti), com o capitulo: ‘O Brasil, seu povo e seu futuro’ (2004).

Na década de 80, ministrou cursos de Astrologia em nível básico e médio em Goiânia, organizado pela sua aluna e Astróloga Jacy A.Genovesi. Neste período também manteve o curso “Básico de Astrologia por Correspondência” criado com a colaboração da Astróloga Sônia Maria de Lima, até 2006.

Em 2002 participou na elaboração da classificação da ocupação “Astrólogo” no CBO2002 (Classificação Brasileira de Ocupações) do Ministério do Trabalho e Emprego.

Também foi homenageado em 2004 pela Astrobrasil com o Prêmio Morin de Villefranche, e em 2012 recebeu uma placa do SINARJ (Sindicato dos Astrólogos do Estado do Rio de Janeiro) onde foi homenageado com o dizer:

“Waldyr Bonadei Fücher, por sua vida e obras dedicadas à astrologia. Homenagem devida igualmente por formar profissionais e acrescentar dignidade a essa arte, mesmo em épocas em que poucos a praticavam com tamanho comprometimento. O SINARJ agradece em nome de toda a classe astrológica brasileira” – Márcia Mattos (Presidente – SINARJ)

Em 2003, Waldyr precisou fazer uma cirurgia de emergência causada por uma diverticulite, iniciando os primeiros sintomas da demência de Alzheimer. Por vontade, retornou a Escola, mas em menos de um ano precisou ser afastado.


Nos anos seguintes a demência progrediu como já esperado, recebeu todos os cuidados de sua família, principalmente de sua amada esposa. Na data de 19 de fevereiro de 2012 Waldyr faleceu com 86 anos. 

Confira mais fotos de Waldyr Bonadei Fücher:













Renata Fücher é formada em Terapia Ocupacional, atualmente trabalha com idosos. Neta do Waldyr Bonadei Fücher, seu maior exemplo. Junto ao seu irmão, faz parte da 3ª geração da Escola Regulus e também participa da pesquisa sobre História da Astrologia em SP. Site da Escola: www.regulus.com.br Também é organizadora de evento anual na Escola Regulus com dois objetivos: a disseminação do conhecimento da Astrologia e a homenagem ao fundador da escola.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

GIRASSOL – CENTRO DE ESTUDOS DE ASTROLOGIA

Antonio Brito  


Mais do que uma escola de Astrologia, a Girassol é um centro de estudos onde o principal objetivo é ‘elevar’ o status da Astrologia, formando profissionais realmente competentes.”(Maurice Jacoel em 1989)


ORIGEM



Maurice Jacoel
Maurice Jacoel nasceu no Egito, mas vive no Brasil desde 1977. Formado em Filosofia pela USP, tornou-se astrólogo e desenvolveu nos anos 80 um tipo de Astrologia pouco conhecida na época: a Astrologia Empresarial.

Em 1987, Maurice e Constância Nader resolveram criar uma escola de Astrologia, o Centro de Estudos de Astrologia Girassol, que ficava na Rua Girassol 231, Vila Madalena em São Paulo.Os dois chegaram a fazer contato com a Secretaria de Educação, no intuito de um reconhecimento oficial do curso e da regulamentacãoda profissão de astrólogo.

A Girassol nasceu de uma perspectiva que congregava astrólogos de várias tendências e caminhos, em um espaço multidisciplinarque permitia a troca e a integração de conhecimentos.

Dessa ação pioneira participaram outros astrólogos: Sônia Barros, Maria Alice Camargo, Amâncio Friaça, Valdenir Benedetti, Henriette Fonseca, Ricardo Riseck, Ion de Freitas, Valderson, Beto Botton, Bárbara Abramo; entre outros.

ATIVIDADES DA ESCOLA




Mais do que uma escola de Astrologia, a Girassol era um centro de estudos onde o principal objetivo era formar profissionais competentes. Devido a isso, oferecia cursos de Astrologia desde o Básico para iniciantes e curiosos, até os mais específicos de Interpretação e Previsão, para os estudantes mais avançados e astrólogos.

Além de Astrologia, a escola Girassol oferecia cursos de Tarô, I-Ching e Metafísica. Havia também um curso chamado “Perspectivas Esotéricas na Estética Cinematográfica”, ministrado pelo professor de estética da FAAP Ricardo Risek, que abordava a linguagem dos símbolos contida em filmes como Blade Runner, Coração Satânico e outros.

A astróloga Maria Alice Camargo e a psicóloga Vivian Hamann Smith conduziam o Astrodrama, que era uma combinação dos conhecimentos da Astrologia e Psicodrama, trabalhado de acordo com a posição do mapa astrológico de cada participante. O desenho do mapa era feito pelo computador. A interpretação do Sol, da Lua e dos demais planetas era dramatizada por cada um, de acordo com a posição dos astros no mapa.

A ideia fundamental da Girassol era estabelecer uma integração entre várias áreas de conhecimento, mas sempre focada na formação do astrólogo e no desenvolvimento pessoal e coletivo dos seus participantes.

Cada aluno podia fazer um ou mais cursos, conforme o seu interesse, e também podia participar de palestras, vivências, workshops e outras atividades.

A Girassol era um espaço aberto não só aos estudantes, mas também a todos os interessados aos assuntos que eram ofertados: profissionais interessados em dar cursos, apresentar temas de pesquisa, seminários ou simplesmente trocar informações, podiam procurar a escola.

A escola Girassol funcionou até o ano de 1992. No entanto, seus integrantes continuam na ativa como astrólogos até hoje.









Antonio Brito é astrólogo especializado em Astrologia Clássica e Horária e participa da equipe que realiza a pesquisa na História da Astrologia em SP. http://astrologiaecompanhia.com.br/