segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

ESCOLAS, LOCAL DE APRENDIZAGEM E DE ENCONTRO

Ana Maria Mendez González

Sabemos que a formação do astrólogo tem seguido caminhos particulares se compararmos com os de outras profissões. Mas, as escolas foram e continuam sendo importantes nessa função. Quais foram elas?

A descoberta de Escolas

Foram muitas as escolas que têm existido em São Paulo. Não imaginei tantas. Entre as que já fecharam e as que continuam em atividade, o número excede vinte. Daí que formam capítulo importante nesta história não só pela quantidade, como pelo que significam enquanto divulgadoras do conhecimento astrológico e formadoras de profissionais.

Algumas duraram muito, outras nem tanto. Independentemente do tempo de duração, sua maior ou menor relevância pode ser medida por promoverem eventos, organização de currículos e fazerem publicações. Todas foram (e são) importantes pontos de divulgação do conhecimento astrológico.

A primeira escola foi fundada em 1969. O Instituto Paulista de Astrologia (o IPA) propiciou encontros entre pessoas que geraram os programas de computação brasileiros mais utilizados pelos nossos astrólogos e foi ponto de partida da formação da Associação Brasileira de Astrologia (ABA).

Depois dela, tivemos a Escola Júpiter que Antônio Carlos Bola Harres, em seu texto (*) cita como sendo motivadora de outras três: uma no Rio de Janeiro, a de Cláudia Lisboa e em São Paulo, a Girassol de Maurice Iacoel e a GEA de Elizabeth Friedrich. Se observarmos mais de perto, cada uma delas poderá ter tido uma marca particular.

Porém, por enquanto, elas serão apresentadas nesta pesquisa sem critérios fixos como por exemplo a cronologia.

Elas constituem parte importante da formação do profissional astrólogo. São local de estudo e de encontros para a formação de uma consciência de grupo que é aspecto importante para o profissional.

Todas serão descritas nesta pesquisa. O conjunto delas apresentará significados históricos passíveis de serem lidos. Se porventura faltar alguma, a pesquisa é aberta a complementações. Informações serão sempre bem-vindas.

Meus agradecimentos a todas e todos que colaboraram com este trabalho de resgate passando informações. Ele só tem sido possível graças a essa generosidade.

(*) texto publicado como Prefácio da Edição Brasileira do livro ENCICLOPÉDIA DE ASTROLOGIA, de James R. Lewis (SP: Makron Gold, 1997) Também é encontrado no link (http://espacoastrologico.org/astrologia-no-brasil/  maio 1997).


sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

INSTITUTO DE ASTROLOGIA IO, FILHO DA LUA DE JÚPITER



Ana Maria Mendez González

Carlos Walker, além de astrólogo, é poeta, escritor, compositor e cantor, e nos brinda com sua experiência e reflexões como professor e responsável por escola de Astrologia.
 
POR UMA ASTROLOGIA APAIXONADA E VULCÂNICA

   A missão de nós, astrólogos, é refazer novos mitos, ouvir a voz oculta do inconsciente,
 fugir das padronizações vulgares dos símbolos do zodíaco, dos planetas e asteroides etc.”
Carlos Walker

O nome IO chegou pelo fascínio que as luas de Júpiter exercem em Walker. Em especial IO, cujo mito o encanta e que foi a escolhida e homenageada.
Folheto de divulgação

A Escola de Astrologia IO, Instituto Astrológico e IO-Espaço Cultural foi fundada em 2000 ao lado de Nelci Rogério, astróloga formada pela GAIA. Antes da criação da empresa e Escola IO, cursos de astrologia foram ministrados regularmente por alguns anos. Além da Astrologia, a escola contava com uma equipe de profissionais de outras áreas: Ayuverda, Tarô, Numerologias, Kabbalah, Yoga, Feng Shui, Reiki etc.

Durante o período de seu funcionamento, a escola passou por mudanças. No início, a IO atuava em Sorocaba e Jundiaí. Depois, ela foi transferida para São Paulo. Com o tempo, ela passou a ensinar exclusivamente Astrologia.
Apresentação de objetivos e programa de cursos

Os conteúdos são organizados em uma série de oito apostilas básicas que são utilizadas no decorrer de dois anos e meio de curso.

Antonio Carlos Bola Harres e outros professores foram convidados para cursos avulsos. Entre os temas abordados podemos citar Astrocartografia e a Santa Ceia.

A intenção maior da escola sempre foi o curso de formação técnica e profissional do astrólogo além de passar pela concepção do que seja o conhecimento astrológico na formação das pessoas.


O INÍCIO DE TUDO

O primeiro contato com a astrologia começou bem antes, no final dos anos 60. Carlos fez o curso completo de Astrologia na ABA por correspondência em 1973/74. Ele morava ainda no Rio e estava fazendo sucesso na TV Globo com as novelas globais, trilhas sonoras, programas etc. Era músico e não imaginava que logo se tornaria profissional de Astrologia. Em 1979 começou a dar aulas e a fazer atendimentos de clientes. Conheceu Cláudia Lisboa que estava vindo de São Paulo onde passou um tempo na Escola Júpiter e, com ela estudou o pensamento da Dona Emma de Mascheville.

Alunos em aula

O material da ABA e o contato com a Cláudia Lisboa, além dos livros em espanhol, francês e inglês que ele já tinha em sua biblioteca astrológica, que desde os anos 70 foi sendo formada, tudo isso deu alimento e nutrição suficientes para começar sua vida profissional como astrólogo. Ele então fez a troca definitiva: de músico famoso profissional para um astrólogo alternativo. Segundo ele, “Virei um astrólogo profissional e um músico mais alternativo”.

A atividade de Carlos Walker como professor de astrologia no Rio de Janeiro aconteceu em 1979, em Copacabana, no Espaço Kaanda Ananda e em Ipanema no Espaço Mandala, além de outros lugares. Nessa época suas turmas contavam com cerca de quinze a vinte alunos por turma, o que se manteve na escola durante anos.
Artigos compilados por alunos 

No início dos anos 80, começaram duas turmas grandes num espaço em São Paulo, na Praça da Árvore. Nessa época os alunos do Rio e de São Paulo resolveram compilar as aulas e fazer uma cartilha em formato de livro. Esse trabalho chamou-se "ASTROLOGIA, UMA ABORDAGEM LINGUÍSTICA" (1985), onde os prefixos e sufixos latinos eram associados aos movimentos dos planetas, em uma visão original de pensar-falar astrologuês e facilitar o mergulho linguístico no mapa. Além desse trabalho, ele publicou MITOGRÁFICOS (2007) em que reúne artigos de reflexão filosófica, simbólica e mítica, e astrológica.  

Artigos de reflexão filosófica, simbólica e astrológica

E intenso, ele conceitua: “A Astrologia é um desentupidor de sinapses e níveis de saber, assim como ativador do desenvolvimento do pensamento como linguagem e significado.”

OUTRO MUNDO

Naquela época, a Astrologia não era uma língua muito falada na mídia do cotidiano como acontece hoje em dia, em que os leigos já falam astrologuês, por influência do mundo digital ou porque os mais triviais termos da astrologia já se popularizaram em jargões. Há curiosidade e as pessoas acessam frequentemente a internet tendo conquistado o básico da terminologia técnica.
Apoio da mídia local: Jornal da Cidade

Naquela época não existia computador, nem celular, mesmo os jornais eram comedidos porque havia um preconceito velado e o editor ou o intelectual, mesmo se fizesse a leitura de mapa com profissional, não se mostrava adepto da astrologia na mídia. Ou seja, somente aqueles mais interessados corriam atrás para ter mais acesso do conhecimento astrológico. As pessoas chegavam aos cursos entre apaixonadas pelo assunto e ao mesmo tempo achando que talvez não conseguissem “desfolhar” a linguagem técnica.

Repercussão da IO no Jornal de Jundiaí

Segundo Carlos  “o mundo era neurologicamente mais tranquilo, menos velocidade, menos simultaneidade” em final dos anos 70 e toda a década de 80. Em seu linguajar de poeta, Walker diz que seus alunos, dos mais velhos e aposentados aos mais garotos não estavam “limitados ao binarismo tecnológico e se permitiam voar nos seus pégasus filopoéticos.” Ele continua: “Nenhuma década se compara aos anos 60-70. A magia vibrava os ares, as ruas, os ambientes.” 

Segundo ele, o mundo e cada lugar era diferente, singular, diferentemente do que ocorre hoje em dia com as redes McDonald´s e Habibs, as multinacionais se multiplicando   “com seus neons bregas, cafonas, ladeando, enfeiando os museus, as locações tradicionais, monstros do mercado destruindo símbolos mágicos tão antigos.” A partir dessa particular análise que Carlos faz podemos perceber uma ponta de saudosismo mas, ao mesmo tempo, ela abre para uma perspectiva crítica da Astrologia que ocorre hoje em dia e que o responsável do ensino astrológico deve levar em conta.

Palestras do Instituto Cultural de Astrologia são destaque em programa de rádio 

Segundo Walker, a escola passou por dificuldades o que não é raro em escolas alternativas e que se justifica pela instabilidade no número de alunos, pelo desnível crescente na cultura do país. Esta falta de interesse cultural, ele diz, acaba se refletindo no nível do interesse pela Astrologia como arte-ciência-pensamento-linguagem-saber e transformação linguística. Concluindo, ele diz: “Inúmeros desafios concretos e abstratos desafiam constantemente o ensino de uma Astrologia culta e séria.”



A EXPERIÊNCIA DE TER ESCOLA

No primeiro período da escola em que os cursos se faziam em espaço doméstico (de 1979 até 1999) assim como no período empresarial da IO (de 2000 aos dias de hoje) as experiências se configuraram múltiplas e sempre em sua maioria, gratificantes.

Para ele, estar em aula propicia uma “espécie de transe inspirador, porque posso instigar minha interioridade psíquica e me conectar com a escada espiral do tempo, da história, da arte, das técnicas que evoluíram através dos conhecimentos, dos níveis cíclicos de consciência que a humanidade caminha.”

IO Institudo Cultural de Astrologia recebe evento inter-religioso

Para ensinar Astrologia é necessário entrar em áreas da psicologia comportamental, da sociologia e da ciência natural e "antinatural" de nossos tempos. Mas acima de tudo compreender " a dialética dos sentidos da linguagem".

Pensador e poeta da Astrologia, ele confessa: “Sou contra todo tipo de corporação e institucionalização do saber astrológico. O astrólogo é o Hermes Trimegisto de jeans, destes tempos perigosos atuais, em que os robôs das próximas e breves gerações estarão em áreas estratégicas, em que só deveriam estar as mentes humanas mais conscientes.” Como podemos observar, ele não tem medo de polêmica e ainda contabiliza ganhos com o tempo na Astrologia: “E quanto mais velhos ficam os astrólogos mais despertas e luminosas ficam suas antenas psíquicas.”

Ele continua: “O astrólogo terá que enfrentar o Monstro Tecnológico Binário e redutor para otimizar o lado positivo da tecnologia, e despertar quem sabe o PENSAMENTO e a linguagem HOLOGRÁFICA. Caberá ao astrólogo recuperar todas as línguas mortas, re-arborizar todas as línguas   ainda vivas e identificá-las no sagrado e infinito caminho das estrelas.”

Como pensador que é, Carlos se expande em aspectos significativos do saber astrológico claramente sob influência das paixões e atividade vulcânica de IO, a Lua de Júpiter.

Educador, ele finaliza com reflexão maior : “O ensino da Astrologia é um exercício de humanismo e universalidade.”


terça-feira, 14 de janeiro de 2020

TRIOM, EDITORA E CENTRO DE ESTUDOS

Autora: Ana Maria Mendez González

Qualidade e inovação podem ser dois termos definidores das atividades da TRIOM. Saiba o porquê.


ASTROLOGIA E DANÇAS CIRCULARES

Apresentação em mailing (Logo da empresa) 
A TRIOM Editora e Centro de Estudos foi fundada em 1991 por Renata e Ruth Cintra e esteve ativa até o ano de 2010. Além de publicar livros, oferecia palestras e cursos de Astrologia e outros assuntos afins. Foi pioneira na divulgação das danças circulares, uma prática trazida de Findhorn, importante comunidade da Escócia.

Em 1993 a TRIOM , mudou para sua segunda sede criando a Livraria e convidou Rodrigo Araês Caldas Farias para sócio nesse segmento. Rodrigo Araes e outros astrólogos ofereceram cursos de Astrologia.

A TRIOM foi um ponto de encontro e de trocas para astrólogos com eventos de frequência regular, que eram bem concorridos. Neles eram oferecidos ao público palestras e atendimentos aos presentes: os Encontros de Lua Nova (em parceria com KDP Kepler).

Uma publicação era distribuída por correio com notícias e programação variada na qual se encontrava a Astrologia, as Danças Circulares e outras áreas afins. Essa mescla de interesses era algo comum da época.
Agenda Fevereiro e Março

Agenda Abril

A TRIOM tinha como objetivo principal o despertar da consciência espiritual do ser humano e era aberta à divulgação de várias tradições. As publicações da editora eram de qualidade e os temas priorizavam educação e transdisciplinaridade, filosofia e Nova Era.  

Uma de suas publicações trouxe a Astrologia em temas relacionados à História e Cultura brasileiras: Brasil Corpo e Alma – Re-Conhecendo o Brasil pela Astrologia. Com organização de Renata C. Lima Ramos, o livro apresenta dezesseis textos elaborados por dezesseis autores. O projeto (seminário e publicação) foi realização de uma parceria entre as áreas de Astrologia e Recursos Humanos.
Capa do livro publicado e associado a evento
A descrição completa do histórico e atividades da TRIOM estão no site cujo link segue: (*)http://www.triom.com.br/estudos/sobre/


Outras imagens a seguir:



Folheto de divulgação: Encontros de Lua Nova (1)


Folheto de divulgação: Encontros de Lua Nova (2)
Curso de Formação em Astrologia
Visão da neswletter da Triom, enviada por correio


quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

UM CENTRO DE ESTUDOS E FORMAÇÃO: HERMES

Ana Maria M González 

As escolas podem ser mais do que locais de aulas e encontros. No caso da Hermes, temos também pesquisas, perspectiva técnica de estudo e prática de Astronomia.  

ESCOLA E CENTRO DE PESQUISAS ASTROLÓGICAS HERMES

A escola Hermes já existia desde 1984, mas foi fundada oficialmente em dezembro de 1987 tendo funcionado em São Paulo por mais de quinze anos. Carlos Fini e Yara Tramontina, seus responsáveis, esperaram cerca de um ano para que o mapa escolhido da fundação pudesse acontecer. Esse dado é sintoma da seriedade com que a escola veio ao mundo. 
Programa de cursos 1996

As aulas eram dadas pelos dois sócios a quem se juntou Patrícia Boni que depois de ter parte de sido aluna, foi convidada e lecionou na escola por sete anos de 94 a 2000. Segundo suas memórias, quando ela aceitou o convite para lecionar em outra escola de astrologia em 2001, possivelmente Carlos Fini já estivesse deixando São Paulo para morar em Curitiba.

A metodologia de ensino seguia o curriculum oficial elaborado pela ABA (Associação Brasileira de Astrologia) instituição à qual era afiliada. Os cursos eram realizados mensal ou semestralmente e havia cursos de final de semana pensados para os alunos que vinham de outros Estados do Brasil. Todos eles eram finalizados com supervisão o que garantia uma segurança na formação do profissional.

Os anos letivos eram finalizados com eventos, esperados pelos alunos, que apresentavam trabalhos de pesquisa e recebiam os certificados de conclusão de curso.

Atividade em sala de aula
Yara Tramontina foi sócia e fundadora. Além disso, montou cursos de sinastria, astrodiagnose (indicado para profissionais da área da saúde) e de astrologia e saúde mental que não eram muito comuns na época. Este último foi desenvolvido por Yara a partir da experiência de trabalho que ela teve como técnica no Ambulatório de Saúde Mental de Itaquera (do Estado de SP) tempo em que teve contato com várias patologias tais como esquizofrenia, transtornos e déficit de atenção, psicose, hiperatividade, ideação suicida. Essa experiência de trabalho se desenvolveu junto a psiquiatras e terapeutas e lhe deu subsídios para seu trabalho como astróloga. Além disso, de sua experiência como psicodramatista elaborou vivências com planetas.

Carlos Fini tinha uma perspectiva técnica especializada em previsões e interferia na área da Bolsa de Valores. Além disso, organizava encontros para discutir temas de sua especialidade como a neurociência e modelos psicológicos, de acordo com a imagem recolhida na internet: Encontro para Divulgação Científica e Técnica da Astrologia (dez/2011).

Material de divulgação

A escola Hermes implantou o projeto inovador Planetarium de ensino de astronomia em escolas a partir do planetário adquirido da Goto, empresa japonesa. O maquinário era móvel e estacionava nas escolas. Patrícia Boni era a técnica planetarista responsável por aplicar o programa de astronomia nas escolas passando fundamentos da astronomia para as crianças e adolescentes. Ela já tinha feito vários cursos no Planetário e Escola de Astrofisica  Prof Aristóteles Orsini  do Parque Ibirapuera e tinha experiência como educadora da extinta Secretaria do Menor, tendo também trabalhado em escolas de educação infantil.

Na verdade, esse programa do planetário tem caráter metafórico e definidor dessa escola refletindo os ideais de seus fundadores. Bom saber que a Escola e Centro de Pesquisas Hermes continue seu caminho em outra capital do Brasil, Curitiba.

PS: Yara Tramontina na época da fundação da escola usava o nome Yara Maria Doarte Sousa.
Yara em sala de aula
Cursos 
Planetário
Ficha de Aluno
Festa e celebração
Bolo astrológico
Astrologia Infantil 
Carlos Fini e aluna



terça-feira, 7 de janeiro de 2020


A FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL NA ASTROLOGIA       

Ana Maria Mendez González

Como têm sido formados os astrólogos profissionais ao longo do tempo? Que mudanças podem ser observadas hoje em dia? 

O ESTUDO E A FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL NA ASTROLOGIA       


Em geral, os profissionais de variadas áreas têm formação escolar ou acadêmica. Com os astrólogos ocorreu algo um pouco diferente. Houve grupos em torno de um professor, a presença de escolas e o caminho do autodidatismo. O que essas maneiras de formação do profissional têm a nos contar? E o que as mudanças que vieram junto das redes sociais acrescentaram nesse quadro?

O astrólogo autodidata talvez tenha sido o mais raro. António Olívio Rodrigues, profissional no começo do século XX é um exemplo deles. Ele chegou à Astrologia por influência de estudos filosóficos e de trocas com parceiros. Mesmo sendo difícil, esse deve ter sido o caminho de muitos astrólogos sem que tenhamos condições de dimensionar essa presença com mais dados. Podemos supor que hoje em dia, com os meios digitais essa presença possa ser ainda maior do que em outras épocas. Ou, que os meios digitais tornaram mais complexa essa formação.

Os grupos de estudo em torno de professores têm sido desde sempre mais comuns e eles podem durar anos a fio. O professor organiza o conteúdo e a parte teórica de acordo com suas escolhas particulares e procura cumprir a formação de seus alunos. É um caminho de múltiplas possibilidades, sendo muito populares as apostilas, copiadas e repassadas entre os participantes dos grupos. Podemos citar alguns dos primeiros que reuniram alunos: Antônio Facciollo, Hélio Amorim, Waldyr Fücher, Juan Alfredo Cesar Müller, entre os mais antigos. Depois vieram outros e até hoje esses agrupamentos são hábito recorrente e tem sido responsável pela formação de quantidade enorme de profissionais.
Instituto Paulista de Astrologia


As escolas muitas vezes são consequência dessas figuras de professores agregadores que algumas vezes instituíram escolas como o professor Waldyr Fücher que depois de dar aulas por longos anos fundou a Escola Regulus.

Escola Regulus de Astrologia

Apesar de demandarem esforço e investimento, as escolas aconteceram em maior ou menor quantidade maior dependendo da época. Mas, sempre trouxeram marcas particulares em suas atividades. Algumas com vida longa, outras apesar de não terem permanecido ativas por muito tempo, tiveram uma forte presença por eventos, publicações ou ressonância entre o público.


               Qual é a melhor formação ?

Difícil dizer qual dessas possibilidades de formação foi a melhor. Cada uma apresenta seus prós e contras, gerando um tipo de profissional. Atualmente, com as redes digitais multiplicam-se as possibilidades. Mas, permanecendo na era antes da internet, que aspectos podemos identificar nos três tipos apontados para a formação do astrólogo?

O autodidatismo passou pelo perigo de uma perspectiva subjetiva e parcial. Esse perigo pode se repetir nos grupos de estudo. A menos que o estudante tivesse feito um rodízio por mais professores, ele pode ficar limitado à perspectiva de um só professor.

As escolas ampliaram a oferta de conteúdo. Elas podem ter apresentado (ou não) um currículo organizado e esse aspecto nem sempre foi preocupação como ocorre hoje em dia. Não havia um consenso a respeito dos conteúdos a serem elaborados, a quantidade de disciplinas ou o tempo de aulas. Tais variações são justificáveis e não impediram que as escolas tivessem um papel importante. Hoje em dia elas estão mais harmonizadas em relação aos critérios de currículo didático. Embora haja diferenças entre as escolas, isso já está mais na pauta do aluno e candidato a astrólogo.

Aos poucos foi sendo elaborado um currículo mínimo embora haja diferenças entre as escolas, isso já está mais na pauta.

As redes sociais e a facilidade de comunicação têm trazido aspectos diferentes nessa questão. Multiplicaram-se as possibilidades de estudo e de trocas de conhecimento. Tais aspectos se contrapõem ao contexto dos anos 50 ou sessenta. Omar Cardoso, um nome da mídia, teve sucesso e popularidade. Divulgou o nome da astrologia para grandes massas de audiência. Escreveu o Romance da Astrologia). Não consta que ele tivesse um diploma (pode ser que tenha tido) ou certificação para o exercício de seu talento.
Divulgador da Astrologia

Essas características históricas que têm funcionado para a formação dos astrólogos (especialmente antes da internet) valem a pena serem conhecidas. O autodidatismo e até a informalidade não impediram o surgimento de bons profissionais. E as três maneiras apontadas podem ter se mesclado em muitas situações. A formação por meio de escolas tem se tornado mais sistemática. E a presença de programas de certificação tem emprestado à formação do astrólogo um caráter mais profissional o que só acrescenta valor perante o público em um clima de maior formalidade em prol de uma melhor formação profissional.

Apesar dessa preocupação que se percebe hoje em dia, há quem diga ser a informalidade está de acordo com as configurações celestes que indicariam a natureza do astrólogo contrária a formalidades acadêmicas e outras. Será que é isso mesmo?

Deixo estas observações como iniciais de um tema que talvez  mereça mais espaço para seu debate.


quinta-feira, 6 de setembro de 2018

CLÁUDIA LISBOA E A ESCOLA JÚPITER

Ana Maria M. González


As escolas são local de aprendizagem e de encontro. No caso de Cláudia Lisboa, a Escola Júpiter representou também momento de definição. 

CLÁUDIA LISBOA E A ESCOLA JÚPITER

A passagem pela Escola Júpiter em São Paulo foi importante na construção de sua carreira como astróloga. Era época de juventude quando a vida ainda está sendo definida em muitos de seus aspectos. À beleza dessa fase da vida podemos acrescentar dúvidas, medos e ansiedades. Definições são delineadas em meio a angústias. Não foi diferente com Cláudia Lisboa. Ainda em São Paulo, algum tempo depois, Cláudia teve outras oportunidades dando aulas e palestras em casa e escola de amigos, infindáveis palestras e cursos. Depois, veio a exposição na mídia e os livros em que junta seu conhecimento e amor pela Astrologia.

Mas, como foi o começo de sua carreira na Escola Júpiter?

ESCOLA JÚPITER DE ASTROLOGIA


São Paulo era somente uma passagem geográfica em sua vida. Seus caminhos iam de Porto Alegre ao Rio de Janeiro, onde nascera, para a visita aos avós, cortando a cidade paulista, meio a contragosto. Era um atraso na direção ao destino. De carro, São Paulo era a passagem chata.

Foi em Porto Alegre que ela conheceu Dona Emmy de Mascheville quando fazia arquitetura. Uma turma jovem adepta da contracultura agitava o ambiente. A Astrologia fazia parte dos conteúdos dessa geração que exercitava a prática da rebeldia. Apaixonou-se pela mestra e pela Astrologia no primeiro dia de aula. E poucos dias depois, viu-se sentada calculando mapas e luas progredidas. Tinha facilidade para isso e talvez estivesse apenas relembrando. Sua tarefa era transcrever as gravações dos mapas que seriam entregues aos clientes, o que lhe trouxe enorme aprendizagem prática junto à mestra. Era 1974. Certo dia, Antonio Carlos Harres Bola entrou na sala em que ela estava fazendo cálculos e vaticinou: "Você vai fazer isso um dia".

Mesmo assim seus estudos de arquitetura seguiram.

Não muito anos depois, viveu uma crise em uma noite insone: “Não é isso que eu quero". Em meio a angústias começou uma carta para o amigo Bola. Estava aos prantos. Era duas horas da manhã. Mas sua mãe entra no quarto e lhe diz que Bola quer falar com ela ao telefone. Ele então reclama: "O que acontece que eu não consigo dormir?." Surpresa e concomitância nas emoções! Ela lhe descreve as estranhas sensações e ansiedades perante desejos de fazer astrologia. Veio o convite do amigo: " Vem morar com a gente." Então, ela foi de mala e cuia para São Paulo. Era uma cidade desconhecida. Mas lá estava a Escola Júpiter, onde continuou a fazer os cálculos: " Eu era o apple da época.", brinca.

Um dia substituiu o amigo Antonio Carlos Bola em aula de cálculo.

Deu a aula e gostou. Os alunos gostaram!  Depois soube que era uma pequena e útil armação para quebrar resistências e fazer ela começar a dar aulas. Acabou assumindo aulas de cálculo do grupo.

Era o começo de sua integração em uma escola que, embora não tivesse um currículo, apresentava certa organização, aulas de matérias variadas e professores. O que parecia estranho para Cláudia que em POA tinha seu lugar de trabalho em mesa de garagem. Suas aulas giravam sempre em volta uma conversa, intencionalmente sem teor acadêmico.  Logo era professora também em aulas de conceitos básicos e de interpretação.

Havia camaradagem entre os três professores responsáveis pela escola, Olavo de carvalho, Antonio Carlos Harres Bola e Marylou Smonsen. Havia também divergências teóricas entre Olavo e Bola, como por exemplo relacionadas às regências. Havia os seguidores de Antonio Carlos Harres e os do Olavo de Carvalho. E havia uma bolha energética junto a D. Emmy que frequentava a escola dando palestras. A Revista Júpiter que era uma produção do grupo trouxe em um dos números matéria escrita pela mestra Emmy.

Tudo isso formava um território que se tornou familiar. Havia aulas, mapas, os amigos Marylou, Bola, Olavo. Cláudia Lisboa assistia às aulas de todos. Morava em uma casinha de vila, em Perdizes. Levou a arquitetura até o quinto ano, sem finalizar. Realmente ela não gostava da natureza acadêmica.

A Escola Júpiter era uma congregação e espécie de fraternidade. Todos estavam sempre juntos. Caronas pra lá e pra cá. A casa da Marylou Simonsen era um ponto de encontro. Parecia uma grande família de desgarrados.

Era 1979. A escola fechou 1980. Como? Por quê? Havia dificuldades para manter a escola. O amigo Antonio Carlos Bola tinha avisado.

Era momento de mudar. Foi então para o Rio assumir a turma de alunos que o amigo tinha deixado. Começou dando aulas de cálculos, claro!

E DEPOIS?

Depois, todos sabemos o que aconteceu. Cláudia Lisboa continuou a dar aulas, deu palestras, foi para a TV, publicou livros, cresceu como profissional.

E o que mais ficou na memória dessa época?

O tempo de Escola Júpiter foi de amadurecimento e aprofundamento da parte técnica da Astrologia. Tempo de aprendizado.

Outras lembranças enfatizam marcas daquela época em sua carreira de astróloga. Nos trajetos de ônibus equacionava os problemas de mecânica celeste, importantes para quem quer conhecer os cálculos astrológicos. Tais estudos de astronomia a prepararam para o trabalho posterior com a mecânica celeste. Essa foi uma herança preciosa de seu pai que estudava astronomia. São muitos os flashs de sala de aula guardados em cantos insuspeitados. E vê-se ainda sentada e calculando os mapas ou ainda no escritório do amigo Bola. As conversas com dona Emmy. Em todas essas memórias, está identificada a relação afetiva de Cláudia Lisboa com suas experiências.

Foram desejos de muitos e de todos que casaram bem. Era também para ela uma época difícil de grande mudança e transição. Foi um ano apenas na Escola Júpiter, mas foi lá que ela viveu o impulso da grande mudança. Largou tudo e foi ser astróloga.

Voltando ao Rio de Janeiro ainda trabalhou em escritório de arquitetura desenvolvendo projetos de stands para feiras. Virava noites projetando e viajava muito. Paralelamente havia a rotina de mãe com filha pequena e a casa e o trabalhoso equilíbrio das finanças.

Mais tarde fez outros contatos em SP que lhe permitiram a continuidade das aulas para grupos. Deu aulas na casa da empresária e produtora artística Célia Macedo (1998) e nas escolas de Valdenir Benedetti (1998) com quem conheceu vários conceitos diferentes tais como indicador condicional, acidental e natural. Segundo Cláudia, ele tinha inteligência rara e pelo jeito encantador de sua personalidade, as conversas entre eles se desenvolviam longamente. Na casa de Maria José Langone (1998 a 2005) por longos cinco anos deu aulas e organizou até um curso de formação. Dava palestras em eventos, fazia mapas em expressiva formação de clientela. Maria José (Zezé) fazia a agenda e funcionava como uma espécie de eminência parda gerenciando tudo. Cláudia tinha uma espécie de franquia paulista do que acontecia no Rio.

Essas aulas em várias épocas e lugares desenha sua história no ensino da astrologia, e enquanto fazia mapas, iniciou uma pesquisa nas profundezas psíquicas da natureza humana. Mas, nesse ponto do encontro, nossa conversa tomou um rumo diferente.

Momento para reflexões

Ao final do encontro, Cláudia começou a fazer uma comparação entre a época em que ela decidiu ser astróloga e os tempos de hoje em dia. Foram apontados aspectos diferentes na formação do profissional e decisão de ser astrólogo.

Naqueles tempos, o estudioso de Astrologia começava a trabalhar sem noção de detalhes que hoje em dia são importantes e que promovem qualidade na formação do profissional. Por exemplo, hoje em dia há a consciência da necessidade de supervisão na prática que começa. Um acompanhamento e grupos de supervisão para os alunos que se profissionalizam. 

Outro dado é a tendência do saber astrológico ser desgarrado da natureza acadêmica. Segundo ela, à medida em que o saber foi se aproximando do acadêmico, ele ganhou em qualidade de ensino, mas foi perdendo o afeto.

A experiência que ela teve mais recentemente na mídia lhe trouxe observações em relação ao caráter profissional da astrologia. Foram dois anos de programa de 25 minutos no ar no canal GNT. O público desse programa deu um retorno que indicou a força da astrologia. As pessoas escreviam e davam palpites e opiniões. Faziam comentários, perguntas a partir do que era apresentado. Havia mais do que mera tietagem...

Havia a surpresa por esse tipo de Astrologia que era percebida como séria! Na mídia, a astrologia passou por uma simplificação para atingir a um público leigo de forma acessível, ainda que o aprofundamento dos assuntos fosse apontado como possibilidade.

A experiência de iniciar uma carreira em Astrologia é muito particular para cada um. Ela não depende de formação acadêmica mas de uma escola em geral menos formal e aulas com professores e da decisão de se formar profissional apenas.

Na época da sua formação, segundo Cláudia, a decisão de ser astrólogo ia acontecendo um tanto informalmente. A decisão de ser profissional era diferente. paixão de dar aulas. Interessantes reflexões.

Foi assim esse encontro com uma divulgadora e profissional competente da Astrologia ao longo de quase duas horas, à mesa de um restaurante em São Paulo, no final de um café da manhã entre sucos de melancia e cafés. Foi uma conversa franca e cheia de simpatia a partir da qual resgatamos um pedacinho de sua passagem pela Escola Júpiter no começo de sua carreira. Bom lugar para começar uma expressiva carreira de astróloga!